O laser retiniano (ou fotocoagulação retiniana) é um tratamento fundamental em oftalmologia para proteger a retina e prevenir determinadas complicações graves, como o descolamento de retina ou a perda visual associada à diabetes ou às oclusões venosas retinianas. Não "repara" tudo, mas permite frequentemente estabilizar a situação e limitar os riscos de agravamento. O Dr. Julien Gozlan, oftalmologista em Paris 16, explica as indicações deste tratamento, o desenrolar prático das sessões, os efeitos esperados e as precauções a conhecer.
O que é o laser retiniano?
O laser retiniano consiste em aplicar, em determinadas zonas da retina, impactos de luz muito focalizados. A energia luminosa é transformada em calor, o que cria pequenas aderências cicatriciais ou modifica o metabolismo dos tecidos retinianos.
O objetivo não é "melhorar" a visão como um par de óculos, mas sim estabilizar a retina:
- reforçando determinadas zonas frágeis (roturas, degenerescências);
- diminuindo a isquemia (falta de oxigénio) em retinopatias graves, como a retinopatia diabética;
- tratando um edema macular em determinadas indicações bem específicas.
Existem diferentes esquemas de tratamento laser (focal, em grelha, panretiniano), adaptados a cada patologia e a cada topografia lesional.
Principais indicações da fotocoagulação retiniana
As situações mais frequentes em que o laser retiniano pode ser proposto são:
- Retinopatia diabética proliferativa ou grave: a fotocoagulação panretiniana reduz a isquemia e faz regredir os neovasos anómalos.
- Edema macular diabético ou após oclusão venosa retiniana central (OVCR) ou de ramo (OBVR), em determinados casos selecionados.
- Roturas da retina ou descolamento de retina inicial: barreira em torno da lesão para prevenir a extensão.
- Degenerescências periféricas de risco (em paliçada, em geada, etc.) em doentes muito míopes ou com antecedentes de descolamento de retina.
- Algumas formas de retinopatias isquémicas (oclusões venosas extensas, isquemias periféricas) para reduzir o risco de neovasos.
A escolha do tratamento é sempre feita caso a caso, após exame completo da retina e análise dos exames de imagiologia (fundo de olho, OCT macular, angiografia, etc.).
Como decorre uma sessão de laser retiniano?
Dilatação pupilar
São instiladas gotas midriáticas para dilatar a pupila, permitindo ao oftalmologista visualizar e tratar toda a retina.
Anestesia local e colocação da lente
Um colírio anestésico insensibiliza a superfície do olho. Em seguida, coloca-se uma lente de contacto especial com gel de acoplamento para focar o feixe laser na retina.
Sessão de laser na lâmpada de fenda
O doente senta-se em frente a uma lâmpada de fenda como numa consulta habitual. O oftalmologista utiliza um adaptador de tratamento. A sessão dura entre 3 e 10 minutos consoante o tipo de intervenção e o número de impactos. Percebem-se clarões luminosos e por vezes uma ligeira sensação de picada ou calor — um desconforto transitório, raramente doloroso.
Fim da sessão
Não é necessário qualquer penso. A visão pode ficar ligeiramente turva ou encandeada durante algumas horas enquanto a dilatação regride. As atividades habituais são geralmente retomadas no dia seguinte; é desaconselhado conduzir no próprio dia.
Tratamentos com laser retiniano: os grandes tipos
Fotocoagulação panretiniana (retinopatia diabética, isquemias)
A fotocoagulação panretiniana consiste em aplicar numerosos impactos luminosos na retina periférica, poupando a mácula. É utilizada principalmente nas formas graves de retinopatia diabética ou em determinadas oclusões venosas isquémicas.
Este tratamento permite reduzir a isquemia e, assim, fazer regredir os neovasos, diminuindo o risco de hemorragia intravítrea ou de glaucoma neovascular. Pode por vezes ser realizado em várias sessões, espaçadas de alguns dias ou semanas.
Fotocoagulação laser focal ou em grelha (edema macular)
Em determinados edemas maculares (diabéticos ou secundários a uma oclusão venosa), pode ser proposto um tratamento por fotocoagulação:
- o tratamento focal visa pontos de fuga precisos próximos da mácula;
- a fotocoagulação em grelha aplica impactos múltiplos numa zona edematosa mais difusa.
Atualmente, esta estratégia é frequentemente combinada, ou por vezes substituída, pelas injeções intravítreas (IVT), nomeadamente os anti-VEGF. A escolha depende da localização do edema, da sua gravidade e das recomendações em vigor.
Barreira laser das roturas da retina
Na presença de uma rotura da retina, a fotocoagulação permite realizar uma barreira retiniana: uma coroa de impactos em torno da lesão. Isto cria uma zona de cicatriz aderente que "cola" a retina à parede do olho, reduzindo o risco de infiltração de líquido e consequente descolamento de retina.
O tratamento pode ser feito numa ou em várias sessões, conforme a visibilidade, a tolerância do doente e a reação da retina.
Pós-tratamento, eficácia e limites do laser retiniano
Após uma fotocoagulação retiniana, a visão pode ficar temporariamente turva, sobretudo devido à dilatação, ao encandeamento e, por vezes, a um ligeiro edema retiniano. Podem ocorrer cefaleias ou uma sensação de olho cansado.
Os efeitos esperados são:
- em caso de retinopatia proliferativa: regressão dos neovasos e diminuição do risco de hemorragia ou de glaucoma neovascular;
- em caso de rotura: estabilização da retina e prevenção do descolamento;
- em caso de edema macular (indicações específicas): redução do edema ou complemento de um tratamento por injeções.
Esta técnica tem, contudo, limites:
- nem sempre permite recuperar uma visão já fortemente comprometida;
- podem ser necessários complementos de tratamento (novas sessões, injeções intravítreas, cirurgia);
- pode, conforme a indicação, provocar uma redução do campo visual ou escotomas periféricos percetíveis na obscuridade.
Riscos e efeitos secundários possíveis
Este procedimento é controlado e amplamente utilizado, mas como qualquer ato médico, comporta riscos, raros mas possíveis:
- incómodo visual temporário, encandeamento, visão turva durante algumas horas;
- pequenas hemorragias retinianas ou vítreas localizadas;
- diminuição do campo visual periférico após tratamento panretiniano extenso;
- raras lesões maculares se um impacto atingir demasiado perto da fóvea;
- muito raramente, agravamento transitório do edema macular.
É fornecida uma informação detalhada antes do procedimento, com uma avaliação da relação benefício/risco de acordo com a sua situação.
Conselhos práticos antes e após um laser retiniano
Algumas recomendações úteis para os doentes que vão realizar uma fotocoagulação retiniana:
- comparecer de preferência acompanhado(a), pois a visão pode ficar turva após a dilatação;
- informar o oftalmologista de qualquer tratamento geral (anticoagulantes, antidiabéticos, etc.) e dos seus antecedentes médicos;
- após a sessão, evitar conduzir imediatamente, sobretudo à noite;
- respeitar os colírios prescritos após o tratamento (anti-inflamatórios, lágrimas artificiais, etc.);
- consultar com urgência em caso de diminuição súbita da visão, aparecimento de um véu escuro, de clarões intensos ou de dor importante.
Perguntas frequentes: laser e retina
O laser retiniano é doloroso?
A maioria dos doentes descreve-o como um procedimento suportável. O olho é anestesiado com gotas, o que evita dor franca. Podem sentir-se picadas, calor ou fadiga ocular, por vezes alguns impactos um pouco mais sensíveis, mas a sessão é geralmente bem tolerada. Em caso de desconforto significativo, não hesite em sinalizá-lo durante o tratamento para que o desenrolar ou o ritmo dos impactos possam ser adaptados.
Quantas sessões são necessárias?
Tudo depende da patologia retiniana. Uma barreira de rotura pode por vezes ser realizada numa única sessão, enquanto uma fotocoagulação panretiniana para retinopatia diabética grave necessita frequentemente de várias sessões espaçadas de alguns dias ou semanas. O oftalmologista indica desde o início o esquema previsto, que poderá ser ajustado em função da evolução.
Pode-se conduzir após uma sessão?
Logo após a sessão, a visão está frequentemente turva devido à dilatação e ao encandeamento. Por isso, recomenda-se não conduzir imediatamente, em particular à noite ou em trajetos longos. Em regra geral, a visão funcional recupera nas horas seguintes. A retoma da condução deve ser feita quando se sentir visualmente confortável e em segurança, respeitando os conselhos dados no consultório.
O laser substitui as injeções intravítreas?
Não, são tratamentos complementares. Em muitas patologias (diabetes, oclusões venosas, DMRI), as injeções intravítreas são o tratamento de referência para o edema macular, enquanto a fotocoagulação trata sobretudo as zonas isquémicas ou as roturas retinianas. Conforme os casos, pode ser proposto um, outro, ou uma associação dos dois para otimizar o resultado visual e estabilizar a retina.
O laser pode causar perda de visão?
Em determinados casos, pode existir uma redução do campo visual periférico ou uma menor acuidade visual em ambientes muito escuros. No entanto, este tratamento é proposto quando o risco natural da doença (hemorragia, descolamento, glaucoma neovascular) é mais grave do que essa repercussão periférica. O objetivo continua a ser preservar a visão central e evitar complicações muito mais severas para a visão.
Qual é a diferença entre laser retiniano e YAG?
O laser retiniano atua sobre a retina para tratar roturas, retinopatias ou edemas, criando pequenas queimaduras controladas. O laser YAG, por sua vez, é utilizado principalmente para a capsulotomia após cirurgia de catarata (catarata "secundária") ou para determinadas iridotomias no glaucoma de ângulo fechado. Não atua sobre a retina, mas sobre outras estruturas do olho. São, portanto, duas tecnologias e duas indicações muito diferentes.
Existem precauções especiais com anticoagulantes ou diabetes?
Os tratamentos com anticoagulantes ou antiagregantes não constituem uma contraindicação. Podem favorecer pequenas hemorragias superficiais, mas sem gravidade na maioria dos casos. Em contrapartida, uma diabetes mal controlada aumenta o risco de retinopatia e justifica um acompanhamento mais frequente. Antes de uma fotocoagulação importante (panretiniana, por exemplo), é preferível otimizar tanto quanto possível o equilíbrio glicémico em articulação com o médico assistente ou o diabetologista.
Quando consultar o Dr. Julien Gozlan?
Pode solicitar uma opinião se lhe falaram de retinopatia diabética, de oclusão venosa retiniana, de rotura da retina, ou se um laser retiniano lhe foi proposto e deseja obter uma segunda opinião ou explicações detalhadas sobre o interesse do tratamento.
O Dr. Julien Gozlan, oftalmologista em Paris 16, realiza um exame completo do fundo de olho e exames de imagiologia adaptados (OCT, angiografia, ecografia se necessário), e discute consigo os diferentes tratamentos possíveis, em função da sua situação visual e geral.
📍 Consulta no Clínica Oftalmológica Paris – Auteuil
O Dr. Julien Gozlan recebe-o no Clínica Oftalmológica Paris – Auteuil para avaliar o estado da sua retina, confirmar ou não a indicação de tratamento e construir consigo um plano de acompanhamento personalizado.
Marcar ConsultaPara saber mais
- Retinopatia diabética: estadios, sintomas e tratamentos.
- Descolamento de retina: sinais de alerta e abordagem cirúrgica.
- OCT macular: imagiologia de referência para a análise da retina.
- Injeções intravítreas (IVT): papel dos anti-VEGF e corticosteroides nas doenças retinianas.