O descolamento de retina é uma urgência oftalmológica: a retina levanta-se e deixa de receber corretamente a luz, o que coloca a visão em perigo. Uma abordagem rápida melhora significativamente as hipóteses de recuperação. O Dr. Julien Gozlan explica os sintomas de alerta, o diagnóstico e as principais opções cirúrgicas para preservar a sua visão.
O que é um descolamento de retina?
Um descolamento de retina ocorre quando a retina neurossensorial se separa da camada que a nutre (epitélio pigmentar). A retina privada de oxigénio funciona de forma deficiente: a perda de visão pode tornar-se irreversível se a intervenção for demasiado tardia.
Na maioria dos casos, tudo começa por uma rotura retiniana: o líquido passa para baixo da retina e descola-a progressivamente, um pouco como um papel de parede que se descola da parede. As opções de cirurgia do descolamento de retina dependem da extensão, da localização das roturas e do estado do vítreo.
Descolamento de retina: os sintomas que devem alertar
O sinal-chave é frequentemente o aparecimento súbito de sintomas visuais num olho. Os sinais de alerta mais típicos são:
- relâmpagos luminosos (fosfenos), sobretudo na escuridão;
- moscas volantes ou pontos negros súbitos e numerosos;
- véu negro (cortina) que progride no campo visual;
- perda de visão ou deformação se a mácula estiver ameaçada.
Perante estes sinais, é necessário consultar com urgência: um descolamento de retina tratado precocemente resolve-se mais facilmente e apresenta frequentemente um melhor resultado.
Quais são as causas e fatores de risco do descolamento de retina?
Na maioria dos casos, trata-se de um descolamento de retina regmatogéneo: uma rotura permite a passagem de líquido para baixo da retina. Os principais fatores de risco são:
- miopia, sobretudo miopia elevada;
- idade (descolamento posterior do vítreo);
- antecedente de descolamento no outro olho;
- traumatismos oculares;
- determinadas cirurgias (nomeadamente cirurgia de catarata em certos perfis).
No míope elevado, a retina é mais fina e mais estirada, o que aumenta o risco de roturas. Algumas afeções maculares da miopia (como a maculopatia tracional miópica) podem igualmente fragilizar a zona central e complicar o seguimento.
Como se confirma o diagnóstico?
O diagnóstico baseia-se num exame do fundo de olho após dilatação da pupila. Permite localizar a(s) rotura(s) e avaliar a extensão do descolamento.
Se o fundo de olho for difícil de visualizar (hemorragia intravítrea, catarata densa, miose), uma ecografia ocular pode confirmar a presença de um descolamento de retina.
Um OCT macular é por vezes realizado se a mácula estiver ameaçada ou para precisar o estado macular, o que ajuda a estimar o prognóstico.
Sinais no OCT e aspetos relevantes
Quando o OCT é realizado, fornece informações úteis sobre o eventual impacto central do descolamento de retina:
- estado da mácula: mácula "on" (ainda no lugar) ou mácula "off" (já descolada);
- presença de líquido sub-retiniano no polo posterior;
- eventual tração vítreo-macular associada;
- sinais de fragilidade macular (miopia elevada, membranas, esquise).
Na prática, a questão essencial é: a mácula está atingida? Este é um elemento fundamental do prognóstico visual.
Tratamento: quais as cirurgias possíveis?
O tratamento visa sempre reaplicar a retina e selar a rotura (laser ou crioterapia). A escolha depende do tipo de descolamento, das roturas, da idade, da miopia e do estado do vítreo. Em determinados casos, associam-se várias técnicas.
Vitrectomia (cirurgia por via interna)
A vitrectomia consiste em remover o vítreo, suprimir as trações e, em seguida, tratar as roturas por laser (ou crioterapia). O olho é depois preenchido com um gás ou com óleo de silicone para manter a retina reaplicada durante a cicatrização. É atualmente uma das técnicas mais utilizadas em cirurgia retiniana.
Indentação escleral (cirurgia por via externa)
A indentação escleral baseia-se na colocação de uma banda de silicone em torno do olho (ou de um implante local) para reduzir a tração sobre a rotura. Esta técnica é frequentemente indicada em pacientes jovens (fáquicos) com uma rotura periférica acessível, conforme o contexto clínico.
Gás intraocular e posicionamento
Em caso de tamponamento por gás, pode ser solicitado um posicionamento durante alguns dias (por exemplo, com a face voltada para baixo) para que a bolha exerça pressão sobre a zona tratada. As instruções são adaptadas à localização das roturas e ao tipo de gás.
Pós-operatório: o que é importante saber
Após a cirurgia, são prescritos colírios (anti-inflamatórios e antibióticos) e são programadas consultas de controlo frequentes. Na presença de gás, a visão é inicialmente turva e melhora progressivamente.
Viagens de avião e anestesia com protóxido de azoto estão contraindicadas enquanto houver gás no olho, pois a bolha pode dilatar-se e provocar uma subida perigosa da pressão intraocular.
Prognóstico: de que depende a recuperação?
O prognóstico depende sobretudo do tempo até à intervenção e do estado macular. Um descolamento de retina operado rapidamente antes de atingir a mácula apresenta, em geral, os melhores resultados. Se a mácula tiver sido descolada, a retina pode ser reaplicada, mas a recuperação visual é frequentemente mais lenta e, por vezes, incompleta.
São possíveis recidivas, nomeadamente em caso de proliferação vítreo-retiniana ou de novas roturas. O seguimento permite detetar precocemente qualquer progressão. Para informação fiável destinada ao paciente, pode consultar o artigo da Retina France sobre o descolamento de retina.
Perguntas frequentes sobre o descolamento de retina
É sempre uma urgência?
Sim. Mesmo que a visão permaneça razoável no início, o risco de extensão do descolamento é real. Uma avaliação oftalmológica rápida é indispensável para confirmar o diagnóstico e programar a abordagem adequada.
Porque se veem relâmpagos luminosos?
Os relâmpagos (fosfenos) traduzem frequentemente uma tração mecânica sobre a retina, típica de um descolamento posterior do vítreo que pode acompanhar-se de uma rotura retiniana. Constituem um sinal de alerta que deve levar a uma consulta rápida.
As moscas volantes significam obrigatoriamente um descolamento?
Não. Os corpos flutuantes podem ser benignos, mas o aparecimento de uma nuvem súbita de moscas volantes, sobretudo associada a relâmpagos luminosos ou a um véu, deve levar a uma consulta urgente para excluir uma rotura ou um descolamento de retina.
É possível evitar a cirurgia?
Quando a retina já está descolada, a cirurgia é o tratamento de referência. No entanto, algumas roturas isoladas, descobertas precocemente antes de se formar um descolamento, podem por vezes ser tratadas com laser (ou crioterapia) sem vitrectomia nem cirurgia mais invasiva.
Devo manter uma posição específica após a operação?
Por vezes sim, sobretudo em caso de injeção de gás intraocular. A posição da cabeça (por exemplo, com a face voltada para a almofada ou de lado) é escolhida para que a bolha de gás exerça pressão exatamente sobre a zona tratada. As instruções variam conforme a localização das roturas e o tipo de cirurgia realizada.
Quando posso retomar a condução e o trabalho?
Isso depende do tipo de intervenção, da presença ou não de gás no olho, da recuperação visual e do tipo de trabalho. A condução só é autorizada quando a visão e o campo visual forem considerados suficientes. O seu cirurgião fornece-lhe recomendações personalizadas durante as consultas de controlo.
Porque é que o avião é proibido em caso de gás intraocular?
Em altitude, a pressão na cabine diminui e a bolha de gás no interior do olho dilata-se. Isso pode provocar uma subida brusca e grave da pressão intraocular, potencialmente perigosa para o olho. Enquanto o gás não estiver completamente reabsorvido, a viagem de avião (e certas anestesias gerais com protóxido de azoto) está formalmente contraindicada.
Existe risco para o outro olho?
Sim, o risco é um pouco mais elevado no outro olho, sobretudo em caso de miopia elevada, de antecedente familiar ou de lesões periféricas frágeis. Uma vigilância regular do outro olho, com fundo de olho dilatado, é frequentemente recomendada para detetar precocemente qualquer rotura ou anomalia retiniana.
📍 Consulta no Consultório Oftalmológico Paris – Auteuil
O Dr. Julien Gozlan trata o descolamento de retina: diagnóstico, tratamento cirúrgico de urgência (vitrectomia, indentação) e seguimento personalizado para otimizar o resultado visual a longo prazo.
Marcar ConsultaPara saber mais
- Cirurgia do descolamento de retina: crio-indentação ou vitrectomia, como escolher.
- Vitrectomia: técnica cirúrgica fundamental em cirurgia vítreo-retiniana.
- OCT macular: útil para avaliar a mácula antes e após a cirurgia.
- Descolamento de retina: sinais de urgência e abordagem: sintomas de alarme, conduta a adotar e tratamento de urgência.