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Retina médica Por Dr Julien Gozlan · 23/12/2025
Maculopatia tracional miópica

Maculopatia tracional miópica

Dr Julien Gozlan
Dr Julien Gozlan
Cirurgião oftalmologista · Especialista em catarata e retina · Paris 16

A maculopatia tracional miópica é uma complicação da miopia forte que afeta a mácula, zona central da retina responsável pela visão fina. Associa trações do vítreo, membranas finas e, por vezes, uma escavação da parede do fundo do olho (estafiloma posterior). O Dr. Julien Gozlan, cirurgião oftalmologista em Paris 16, explica os sintomas, o papel do OCT e os principais tratamentos.

O que é a maculopatia tracional miópica?

No míope forte, o olho é mais comprido do que o normal. A retina central fica estirada sobre uma parede curva e adelgaçada. Com o tempo, trações exercidas pelo vítreo, pela membrana limitante interna e por finas membranas epirretinianas podem provocar um aspeto de "rutura interna" da retina, designado foveosquise.

A maculopatia tracional miópica agrupa estas diferentes anomalias: foveosquise, descolamento macular localizado e, nas formas avançadas, buraco macular e descolamento de retina associados. O OCT permite visualizá-las com grande precisão.

Quem é afetado?

Esta patologia surge sobretudo em doentes com miopia forte (frequentemente acima de -6 dioptrias) ou com um fundo de olho miópico muito alterado. Aparece geralmente na idade adulta, muitas vezes após os 40–50 anos, quando o vítreo começa a modificar-se e a exercer tração sobre a mácula.

Nem todos os míopes fortes desenvolverão uma maculopatia tracional miópica, mas a presença de um estafiloma posterior, de uma membrana epirretiniana ou de antecedentes de descolamento de retina aumenta o risco.

Sintomas: quando preocupar-se?

Os sintomas são frequentemente progressivos:

Qualquer alteração recente da visão num míope forte deve levar a uma consulta para excluir uma maculopatia tracional miópica ou outra complicação macular.

Como é estabelecido o diagnóstico?

O exame do fundo de olho revela uma mácula estirada, por vezes no fundo de um estafiloma posterior, com pregas ou pequenas estrias radiárias. O exame-chave é o OCT macular (tomografia de coerência ótica), que fornece cortes muito finos da retina.

O OCT permite visualizar:

O estudo permite classificar a maculopatia tracional miópica e orientar a decisão terapêutica.

OCT: que sinais típicos se encontram na maculopatia tracional miópica?

O OCT macular permite não só confirmar o diagnóstico, mas também avaliar o risco evolutivo e o interesse de um tratamento. No míope forte, observa-se frequentemente uma retina muito adelgaçada, "esticada" sobre um estafiloma posterior, com trações internas.

Estes elementos explicam por que razão dois doentes podem ter uma miopia comparável mas uma evolução muito diferente.

Evolução natural e complicações

Em alguns casos, a situação permanece estável durante muito tempo, com um incómodo visual moderado. Noutros, as trações acentuam-se: a foveosquise estende-se, constitui-se um descolamento macular ou surge um buraco macular. A visão central pode então diminuir de forma mais acentuada.

Sem tratamento, uma maculopatia tracional miópica evolutiva pode conduzir a uma perda importante da visão central e favorecer um descolamento de retina mais extenso. Daí a importância de um seguimento regular.

Tratamentos da maculopatia tracional miópica

Vigilância simples

Quando a diminuição visual é moderada, o doente está pouco incomodado e o OCT mostra uma maculopatia estável, pode ser proposta uma simples vigilância: controlos regulares da acuidade visual, OCT comparativos e autovigilância domiciliária (grelha de Amsler, visão monocular).

Quando propor cirurgia?

A cirurgia não é sistemática. É discutida quando a maculopatia tracional miópica se torna sintomática ou evolutiva.

Pelo contrário, uma forma estável com sintomas limitados pode ser vigiada de forma próxima, pois a cirurgia também comporta riscos (catarata secundária, infeções, descolamento de retina, etc.).

Vitrectomia com remoção da membrana limitante interna

Em caso de incómodo visual importante ou de agravamento documentado, o tratamento é na maioria das vezes cirúrgico. A técnica de referência é a vitrectomia por micro-incisões, associada à remoção da membrana limitante interna e das membranas de tração.

O objetivo é aliviar as trações que mantêm a maculopatia tracional miópica e permitir que a retina se reaplique. No final da intervenção, pode ser injetado um gás intraocular para facilitar a cicatrização. A recuperação visual é progressiva ao longo de várias semanas a vários meses.

Decisão caso a caso

A escolha de operar depende de numerosos parâmetros: importância do incómodo, profissão, olho afetado (olho único ou não), aspeto preciso da retina no OCT, antiguidade das lesões. Uma discussão personalizada é essencial para avaliar a relação benefício/risco.

Prognóstico e recuperação visual

A recuperação visual depende da antiguidade das trações, da presença de um descolamento macular e do estado da retina externa (nomeadamente a zona fotorreceptora) no OCT.

Após a vitrectomia, o objetivo é sobretudo estabilizar e melhorar progressivamente a visão central. A melhoria é frequentemente lenta, ao longo de várias semanas a vários meses.

Seguimento e conselhos práticos

Após o diagnóstico ou a cirurgia, um seguimento regular é indispensável: controlos da visão, OCT repetidos e exame do fundo de olho. Em casa, é útil testar um olho de cada vez e vigiar o aparecimento de novas deformações ou de um véu no campo visual, por exemplo com a ajuda de uma grelha de Amsler.

No míope forte, é igualmente importante consultar com urgência em caso de moscas volantes em enxame, de relâmpagos luminosos ou de cortina negra que possam sugerir um descolamento de retina associado.

Perguntas frequentes sobre a maculopatia tracional miópica

A maculopatia tracional miópica pode curar-se sozinha?

Uma cura completa espontânea é rara. Algumas formas podem permanecer estáveis durante muito tempo, sobretudo quando se trata de uma esquise macular pouco evolutiva, mas a situação depende da intensidade das trações (membrana epirretiniana, aderências vitreomaculares) e da configuração do olho míope (estafiloma posterior). O OCT é o exame-chave para avaliar a estabilidade: aparecimento ou aumento de cavidades de esquise, início de descolamento foveolar ou sinais de fragilização que podem preceder um buraco macular.

É a mesma coisa que uma DMRI?

Não. A maculopatia tracional miópica está ligada à miopia forte: alongamento do globo ocular, deformação posterior (estafiloma) e trações sobre a mácula responsáveis por esquise, descolamento foveolar ou buraco macular. A DMRI, por sua vez, é uma degeneração relacionada à idade, com mecanismos diferentes (drusen, atrofia, neovasos). Na prática, o OCT permite geralmente fazer a diferenciação: a tração miópica mostra sinais mecânicos de "estiramento", enquanto a DMRI mostra sobretudo alterações do epitélio pigmentar e/ou neovasos.

É possível prevenir esta complicação?

Nem sempre é possível preveni-la, pois depende em parte da anatomia da miopia forte. Contudo, é possível reduzir o risco de diagnóstico tardio organizando um seguimento regular (fundo de olho + OCT) no míope forte, sobretudo em caso de diminuição da visão, metamorfópsias ou antecedentes no outro olho. O interesse é detetar precocemente uma forma evolutiva e decidir o momento certo para tratar (vigilância próxima versus cirurgia) antes da instalação de lesões mais irreversíveis.

A cirurgia é sempre eficaz?

A cirurgia é frequentemente eficaz para reduzir as trações e estabilizar a anatomia macular, mas o ganho visual é variável. Baseia-se na maioria das vezes numa vitrectomia com remoção de membrana e, por vezes, remoção da limitante interna, com ou sem tamponamento (gás) consoante os casos. Os melhores resultados funcionais são observados quando a intervenção é realizada antes de um estádio avançado (buraco macular, descolamento macular importante, lesão prolongada dos fotorreceptores). O OCT ajuda a estimar o prognóstico: integridade da zona elipsoide, importância da esquise, presença de um descolamento foveolar, espessura retiniana e sinais de tração persistente.

Existe risco para o outro olho?

Sim, existe um risco porque ambos os olhos podem partilhar uma anatomia de miopia forte semelhante (comprimento axial elevado, estafiloma). Isso não significa que o outro olho evoluirá necessariamente, mas merece um seguimento dedicado, mesmo na ausência de sintomas. Na prática, vigia-se o outro olho por OCT para detetar uma esquise incipiente, uma tração vitreomacular ou sinais precursores de um buraco macular.

Quando consultar com urgência?

Deve consultar rapidamente em caso de cortina negra, de relâmpagos luminosos, de chuva de corpos flutuantes ou de diminuição súbita da visão. Estes sintomas podem corresponder a uma rutura ou a um descolamento de retina, complicação mais frequente no míope forte e que necessita de tratamento urgente. Um agravamento rápido das deformações (metamorfópsias) ou uma diminuição súbita da visão central também deve levar a um controlo rápido, pois pode traduzir uma evolução anatómica (descolamento foveolar, buraco macular).

Quando consultar o Dr. Julien Gozlan?

Se é muito míope e nota uma diminuição da visão, deformações das linhas ou se um exame sugere uma maculopatia tracional miópica, é recomendável uma opinião especializada.

O Dr. Julien Gozlan, oftalmologista em Paris 16, realiza um estudo completo da mácula (fundo de olho, OCT), explica a evolução possível da doença e discute consigo o eventual interesse de uma vitrectomia ou de uma simples vigilância.

📍 Consulta no Consultório Oftalmológico Paris - Auteuil

O Dr. Julien Gozlan recebe-o no Consultório Oftalmológico Paris - Auteuil para o diagnóstico e o tratamento da maculopatia tracional miópica e das outras complicações da miopia forte.

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