A cirurgia do descolamento de retina é uma urgência oftalmológica: sem tratamento rápido, a visão pode ser definitivamente perdida. A cirurgia do descolamento de retina baseia-se principalmente em duas técnicas: a crioindentação (cerclagem escleral) e a vitrectomia. O Dr. Julien Gozlan, cirurgião oftalmologista em Paris 16, explica-lhe as diferenças entre estas intervenções, as suas indicações e o pós-operatório.
O que é um descolamento de retina?
A retina é uma fina membrana que reveste o fundo do olho, responsável por transformar a luz em sinal nervoso. Em caso de descolamento de retina, esta membrana levanta-se do seu suporte como um papel de parede que se descola da parede. Na maioria dos casos, tudo começa por uma rasgadura retiniana através da qual o líquido passa e levanta a retina.
Os sinais de alerta clássicos são:
- o aparecimento súbito de moscas volantes em grande número;
- relâmpagos luminosos (fosfenos);
- a sensação de um véu negro ou de uma cortina no campo visual;
- uma diminuição da visão por vezes importante.
Perante estes sintomas, é necessário consultar com urgência: apenas uma cirurgia do descolamento de retina permite reaplicar a retina e esperar recuperar a visão.
Os grandes princípios da cirurgia do descolamento de retina
Independentemente do tipo de intervenção, os objetivos são os mesmos:
- fechar a ou as rasgaduras responsáveis;
- recolocar a retina no lugar contra o seu suporte;
- estabilizar a situação durante o tempo necessário à cicatrização.
Para o conseguir, o cirurgião pode atuar seja pelo exterior do olho com uma crioindentação, seja pelo interior com uma vitrectomia, ou combinando por vezes as duas técnicas.
Avaliação pré-operatória: os pontos que orientam a técnica
Antes de escolher a estratégia, o exame determina vários elementos decisivos:
- o carácter mácula ON (mácula ainda colada) ou mácula OFF (mácula descolada);
- o número e a localização das rasgaduras;
- a extensão do descolamento e a sua antiguidade;
- a existência de trações ou de uma proliferação vítreo-retiniana (PVR);
- o estado do cristalino: fáquico (cristalino natural) ou pseudofáquico (lente intraocular após catarata);
- o contexto (miopia forte, traumatismos, antecedentes cirúrgicos).
Estes critérios explicam por que razão não existe uma técnica "melhor" em absoluto: a melhor cirurgia é aquela que está mais adaptada à configuração do descolamento de retina.
Crioindentação (cerclagem escleral): atuar pelo exterior
A crioindentação, também chamada cerclagem escleral, é uma técnica clássica da cirurgia do descolamento de retina. O objetivo é empurrar a parede do olho em direção à retina para "tapar" a rasgadura pelo exterior e diminuir as trações.
Concretamente, o cirurgião:
- localiza a rasgadura retiniana;
- aplica uma crioapplicação (frio intenso) nessa zona para criar uma cicatriz sólida;
- coloca, sobre a esclera (a "casca" branca do olho), uma banda de silicone que exerce uma indentação para o interior.
Esta abordagem é frequentemente indicada em pacientes jovens, fáquicos, com um descolamento de retina pouco extenso e rasgaduras acessíveis na periferia. A vantagem é preservar o vítreo e evitar entrar no interior do olho.
Vitrectomia: tratar o descolamento de retina pelo interior
A vitrectomia consiste em remover o vítreo, o gel transparente que preenche o interior do olho, e depois tratar diretamente as rasgaduras a partir do interior. É atualmente a técnica mais utilizada para o descolamento de retina, nomeadamente em pacientes mais idosos ou já operados à catarata.
Durante a intervenção, o cirurgião:
- realiza microincisões na esclera;
- aspira o vítreo e remove as trações que puxam a retina;
- trata as rasgaduras por laser ou crioterapia;
- preenche o olho com um gás ou por vezes um óleo de silicone para manter a retina aplicada.
A vitrectomia é privilegiada em caso de descolamento de retina complexo, de formas extensas, de recidivas, e nos casos com PVR ou quando o paciente é pseudofáquico.
Gás ou óleo de silicone: porquê um "tamponamento"?
Na vitrectomia, o cirurgião utiliza frequentemente um tamponamento interno para aplicar a retina durante a cicatrização em torno das rasgaduras:
- Gás intraocular: reabsorve-se espontaneamente em algumas semanas. A visão é muito turva no início e melhora progressivamente à medida que o gás diminui.
- Óleo de silicone: reservado a certos casos mais complexos (PVR, recidiva, impossibilidade de posicionamento, etc.). Necessita frequentemente de uma segunda intervenção para ser removido.
Na presença de gás, o avião e a altitude estão contraindicados até à reabsorção completa, pois a bolha pode dilatar-se e aumentar perigosamente a pressão intraocular.
Proliferação vítreo-retiniana (PVR): por que é um fator de recidiva
A proliferação vítreo-retiniana (PVR) é uma das causas principais de insucesso ou de recidiva de um descolamento de retina. Corresponde a uma reação cicatricial excessiva: as células proliferam e formam membranas na superfície da retina ou sob a retina, capazes de puxar os tecidos.
Na prática, a PVR pode:
- criar novas trações e reabrir uma zona frágil;
- provocar um descolamento "rígido" mais difícil de reaplicar;
- necessitar de gestos mais complexos (remoção de membranas, retinectomia nos casos graves);
- aumentar o recurso a um tamponamento prolongado, por vezes com óleo de silicone.
A presença de PVR é mais frequente em certos contextos: descolamento antigo ou muito extenso, hemorragia intravítrea, traumatismos, recidivas ou inflamações. Explica por que razão certos descolamentos exigem várias etapas cirúrgicas e um seguimento prolongado.
Crioindentação ou vitrectomia: como escolher?
A escolha da técnica depende das características do descolamento de retina e do paciente:
- idade e estado do cristalino (fáquico ou pseudofáquico);
- número, tamanho e localização das rasgaduras;
- extensão do descolamento e antiguidade;
- presença ou não de membranas de tração ou de PVR;
- risco de recidiva e fatores associados (miopia forte, traumatismos, antecedentes).
Num paciente jovem, com um descolamento limitado e uma rasgadura periférica, a crioindentação pode ser uma excelente opção. Pelo contrário, para um descolamento extenso, antigo, pseudofáquico ou complicado, uma vitrectomia oferece frequentemente um melhor controlo das trações e das recidivas. Em certos casos, as duas técnicas podem ser combinadas.
Pós-operatório e convalescença
Após uma cirurgia do descolamento de retina, o olho pode estar vermelho, sensível, e a visão muito turva no início, especialmente em caso de tamponamento por gás. Uma posição particular da cabeça pode ser solicitada várias horas por dia durante alguns dias (conforme a localização das rasgaduras).
A retoma das atividades é progressiva: a condução, o desporto ou os esforços importantes são geralmente adiados. Na presença de gás intraocular, o avião e as estadias em altitude estão contraindicados até à reabsorção completa. Um seguimento frequente permite verificar que a retina se mantém bem aplicada.
Prognóstico visual: de que depende a recuperação?
O prognóstico depende sobretudo de dois fatores:
- o estado da mácula (mácula ON vs mácula OFF);
- o tempo de tratamento e a complexidade do descolamento (PVR, recidiva, extensão).
Quando a mácula ainda está no lugar (mácula ON) e a cirurgia é realizada rapidamente, a recuperação visual pode ser excelente. Em caso de mácula descolada, a visão melhora frequentemente após a reaplicação, mas a recuperação pode ser parcial e mais lenta, ao longo de várias semanas a vários meses.
Perguntas frequentes: crioindentação ou vitrectomia para descolamento de retina
É sempre uma urgência?
Sim, o descolamento de retina deve ser tratado rapidamente. Quanto mais cedo a intervenção for realizada, mais se limita o risco de extensão do descolamento e maiores são as hipóteses de recuperação visual, especialmente se a mácula ainda não estiver descolada. Na prática, uma avaliação urgente permite precisar a extensão, a ou as rasgaduras responsáveis e a melhor estratégia (crioindentação ou vitrectomia).
Qual a técnica que dá o melhor resultado?
Não existe uma técnica sistematicamente superior. A escolha depende de critérios muito concretos: idade, estado do cristalino (fáquico/pseudofáquico), localização e número de rasgaduras, extensão do descolamento, presença de hemorragia intravítrea e risco de PVR (proliferação vítreo-retiniana). O objetivo é obter uma reaplicação anatómica duradoura com o melhor compromisso funcional para a sua situação.
Porque é que se propõe por vezes uma crioindentação num paciente jovem?
Num paciente jovem fáquico, com uma rasgadura periférica bem identificada e acessível, a crioindentação permite tratar a causa sem entrar no olho. Isso limita nomeadamente o risco de catarata secundária associado a uma vitrectomia, assegurando ao mesmo tempo o encerramento da rasgadura (crio) e um suporte mecânico (indentação) que favorece a cicatrização.
Porque é que se coloca um gás no olho após vitrectomia?
Após vitrectomia, um tamponamento por gás serve para aplicar a retina contra a parede interna do olho durante o tempo necessário à cicatrização das zonas tratadas em torno das rasgaduras. A visão é muito turva no início porque a bolha ocupa uma parte importante da cavidade vítrea, e depois melhora progressivamente à medida que o gás se reabsorve e é substituído pelo humor aquoso.
É possível viajar de avião após a cirurgia?
Não, se existir uma bolha de gás no olho. O avião (e de modo geral a altitude) está contraindicado até à reabsorção completa do gás, pois a bolha pode dilatar-se e aumentar perigosamente a pressão intraocular. O seu cirurgião indicar-lhe-á a duração conforme o tipo de gás utilizado e a evolução pós-operatória.
Quanto tempo dura a convalescença?
A convalescença depende da técnica (crioindentação ou vitrectomia), do tamponamento (gás, silicone) e do envolvimento macular. A visão pode permanecer turva durante várias semanas, e a melhoria pode prolongar-se ao longo de vários meses. Se a mácula estava descolada, a recuperação é frequentemente mais lenta e por vezes incompleta, mesmo que a retina esteja reaplicada.
Existe risco de recidiva?
Existe um risco de recidiva, sobretudo nas formas complexas, em caso de PVR, de rasgaduras múltiplas ou de fragilidade retiniana (miopia forte, traumatismos, antecedentes). O seguimento pós-operatório é essencial para detetar precocemente uma nova rasgadura, um descolamento incipiente ou uma complicação, a fim de intervir rapidamente se necessário.
Quando é necessário consultar com urgência após a operação?
É necessário consultar rapidamente em caso de dor importante, de diminuição súbita da visão, de aparecimento de um véu negro, de agravamento rápido dos sintomas, ou de vermelhidão importante associada a fotofobia. Estes sinais podem corresponder a uma complicação (hipertensão ocular, infeção, recidiva) que necessita de uma avaliação sem demora.
O Dr. Julien Gozlan, oftalmologista em Paris 16, avalia caso a caso a melhor estratégia de cirurgia do descolamento de retina: crioindentação, vitrectomia ou abordagem combinada, de modo a maximizar as hipóteses de sucesso tendo em conta a sua situação pessoal.
📍 Consulta no Consultório Oftalmológico Paris – Auteuil
O Dr. Julien Gozlan recebe-o no Consultório Oftalmológico Paris – Auteuil para o diagnóstico de rasgaduras e descolamentos de retina, e para a definição de um plano de tratamento personalizado (crioindentação, vitrectomia, seguimento).
Marcar ConsultaPara saber mais
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- Descolamento de retina urgente: agir rapidamente: quando e como consultar com urgência antes da cirurgia.