A catarata pode afetar um só olho (catarata unilateral) ou ambos os olhos (catarata bilateral), com consequências visuais e práticas diferentes. Deve-se operar primeiro um olho, os dois olhos em sequência, e a que ritmo? O Dr. Julien Gozlan, cirurgião oftalmologista em Paris 16, explica as particularidades da catarata unilateral e bilateral, os prazos razoáveis entre as duas intervenções e as situações em que é preferível não esperar demasiado para o segundo olho.
Catarata unilateral vs bilateral: compreender bem a situação
Fala-se de catarata unilateral quando apenas um olho apresenta uma opacificação significativa do cristalino, permanecendo o outro transparente ou pouco afetado. Inversamente, a catarata bilateral corresponde a uma afetação dos dois cristalinos, por vezes de forma assimétrica (um olho mais afetado do que o outro).
Na prática, esta doença acaba por se tornar bilateral ao longo dos anos, mas é frequente que um olho "avance mais depressa". É esta assimetria que explica grande parte do desconforto sentido e que orienta a escolha do momento e da ordem das intervenções.
Sintomas: por que razão a catarata unilateral pode ser muito incómoda
Quando a catarata afeta principalmente um só olho, a visão pode tornar-se:
- turva ou velada de um só lado;
- com halos, encandeamento, sobretudo à noite;
- por vezes com uma alteração importante da correção (o olho afetado tornando-se mais míope, por exemplo).
O cérebro tenta apoiar-se mais no olho mais nítido, mas a assimetria entre os dois olhos pode provocar:
- uma sensação de visão dupla ou de sobreposição de imagens;
- uma fadiga visual importante, sobretudo ao ecrã;
- um mal-estar na condução, em particular à noite.
Assim, uma catarata unilateral pode por vezes ser pior tolerada do que uma catarata bilateral simétrica, pois a diferença entre os dois olhos desestabiliza a visão binocular.
Como decidir operar um ou dois olhos?
A decisão não se baseia unicamente no número de olhos afetados, mas na repercussão funcional no dia a dia e nos exames realizados em consulta.
Critérios clínicos e funcionais
O Dr. Julien Gozlan tem em conta vários elementos para uma catarata unilateral ou bilateral:
- a acuidade visual de cada olho (ao longe e ao perto);
- o desconforto sentido: leitura, trabalho ao ecrã, condução, desporto;
- a diferença de correção entre os dois olhos (anisometropia);
- a profissão e as atividades (condução noturna, precisão, desporto de alto nível…).
Em geral, propõe-se operar primeiro o olho mais afetado (catarata unilateral funcional) e depois programar o outro num segundo tempo, conforme o desconforto residual.
Exames complementares e estratégia
Para além da simples medição da acuidade visual, a análise baseia-se em:
- uma biometria ocular precisa para cada olho, a fim de definir a potência das lentes intraoculares e o objetivo refrativo (visão ao longe, mini-monovisão, etc.);
- uma topografia corneana em caso de astigmatismo ou de antecedente de cirurgia refrativa;
- um OCT macular para verificar a ausência de patologia retiniana (DMRI, edema macular, retinopatia diabética…);
- a avaliação da diferença de alvo refrativo entre os dois olhos, a fim de evitar uma anisometropia pós-operatória demasiado importante.
Estes elementos permitem definir um projeto visual global: deve-se visar a mesma correção nos dois olhos, ou uma diferença ligeira para facilitar a visão ao perto? Qual o prazo razoável entre os dois olhos para limitar o desconforto?
Deve-se operar os dois olhos no mesmo dia?
A cirurgia simultânea dos dois olhos (no mesmo dia) permanece rara e está geralmente reservada a situações particulares, de acordo com as recomendações em vigor, a organização do bloco operatório e o perfil do paciente.
Na prática corrente, privilegia-se na maioria das vezes uma cirurgia sequencial:
- opera-se primeiro o olho mais afetado;
- verifica-se a sua recuperação (acuidade visual, conforto, tensão ocular);
- depois programa-se o segundo olho a curto prazo se a catarata bilateral for incómoda.
Esta abordagem permite ajustar, se necessário, a estratégia para o segundo olho (alvo refrativo, escolha da lente intraocular) em função do resultado do primeiro.
Catarata bilateral: prazo ideal entre os dois olhos
Em caso de catarata bilateral, o prazo entre as duas intervenções depende:
- do nível de desconforto do segundo olho;
- do risco de anisometropia (diferença de potência entre os dois olhos após o primeiro procedimento);
- do estado geral de saúde (diabetes, patologia cardiovascular, tratamentos em curso).
Quando a catarata bilateral é simétrica e incómoda, é frequentemente desejável não espaçar demasiado as duas intervenções, a fim de:
- limitar o desconforto entre os dois olhos;
- recuperar rapidamente uma visão binocular estável;
- adaptar depois com mais precisão uma eventual correção residual (óculos, lentes progressivas).
Catarata unilateral funcional: quando propor o segundo olho?
Acontece que apenas um olho seja operado enquanto o outro apresenta apenas uma catarata moderada. Fala-se então de catarata unilateral funcional após cirurgia.
O segundo olho é geralmente operado quando:
- a catarata do segundo olho progride e se torna incómoda;
- a diferença entre os dois olhos se torna difícil de suportar (perturbação na perceção das distâncias, fadiga);
- a correção com óculos já não é suficiente para equilibrar confortavelmente os dois olhos.
O momento ideal é discutido em consulta, em função do desconforto real e da evolução da catarata do segundo olho.
Prognóstico visual: o que se pode esperar?
Numa catarata bilateral sem outra doença ocular, o prognóstico é em geral excelente: uma vez operados os dois olhos, a visão ganha em luminosidade, contraste e estabilidade. A dependência dos óculos pode ser reduzida consoante o tipo de lente intraocular escolhida.
Na presença de uma patologia associada (DMRI, retinopatia diabética, glaucoma avançado…), a cirurgia de catarata pode ainda assim proporcionar um ganho de conforto, mas o resultado final dependerá também do estado da retina e do nervo ótico. Este é um dos interesses de um exame completo antes de qualquer decisão.
Conselhos práticos para os pacientes
Algumas recomendações úteis:
- reportar qualquer desconforto funcional importante (condução, trabalho, leitura) mesmo que apenas um olho esteja afetado;
- evitar adiar excessivamente uma catarata bilateral muito incómoda, pois a repercussão na vida quotidiana pode ser significativa;
- após o primeiro olho, descrever bem ao cirurgião o conforto sentido (visão ao longe, ao perto, desequilíbrio entre os olhos) para afinar a estratégia do segundo olho;
- respeitar rigorosamente o tratamento pós-operatório (colírios, controlos) em cada olho.
Perguntas frequentes: catarata unilateral vs bilateral
É sempre necessário operar os dois olhos em caso de catarata bilateral?
Não necessariamente de imediato. Opera-se primeiro o olho mais incómodo (ou o mais avançado), e depois reavalia-se o conforto em visão binocular. Na prática, uma catarata bilateral evolutiva acaba frequentemente por justificar uma cirurgia dos dois olhos, a fim de recuperar uma visão global estável (leitura, condução, perceção dos relevos, fadiga visual).
Pode-se nunca operar o segundo olho?
Sim, se a catarata do segundo olho permanecer mínima e não causar desconforto no dia a dia. Todavia, a catarata tende a progredir com o tempo: é frequente que a questão de uma segunda intervenção se coloque mais tarde, sobretudo se a diferença entre os dois olhos se tornar desconfortável.
Em caso de catarata unilateral, é perigoso esperar para o segundo olho?
Na maioria das vezes, não há urgência "vital" para o olho. No entanto, uma catarata muito assimétrica pode criar um desconforto funcional importante (condução, desporto, leitura prolongada, fadiga visual), nomeadamente devido a um desequilíbrio entre os dois olhos. Se o desconforto se tornar marcado, é em geral preferível não esperar demasiado.
Por que razão me sinto mais incomodado desde que tenho um olho operado e o outro não?
Porque o olho operado vê frequentemente mais nítido e mais claro, enquanto o outro permanece velado pela catarata. Esta diferença de luminosidade, de contraste e por vezes de correção (miopia/hipermetropia/astigmatismo) pode provocar uma sensação de desequilíbrio, fadiga visual ou desconforto na perceção dos relevos. Isto melhora geralmente quando o segundo olho é operado (ou após adaptação ótica se a diferença for pequena).
Pode-se escolher objetivos refrativos diferentes em cada olho?
Sim, em certos casos. Pode-se visar uma visão ao longe nítida em ambos os olhos, ou propor uma mini-monovisão (um olho muito ligeiramente mais míope para facilitar a leitura). A escolha depende do seu estilo de vida, da sua tolerância à assimetria, do astigmatismo e do estado da retina. Este ponto deve ser discutido com precisão antes da intervenção, pois influencia o conforto no dia a dia.
Quanto tempo se deve esperar entre os dois olhos?
Depende do contexto (desconforto, atividade profissional, estabilidade do primeiro olho, organização). Em caso de catarata bilateral incómoda, o segundo olho é frequentemente operado num prazo de algumas semanas a alguns meses, a fim de recuperar rapidamente uma visão binocular confortável e evitar um período demasiado longo de assimetria.
Posso conduzir entre as duas intervenções?
Depende da sua acuidade visual global (com correção) e do seu conforto (encandeamento, visão noturna, perceção dos relevos). Um controlo permite verificar se os critérios para a condução estão reunidos. Em caso de dúvida, é prudente limitar a condução, em particular à noite ou em trajetos longos, até obter uma visão binocular estável.
O que fazer se sentir moscas volantes, relâmpagos ou um véu negro após a operação?
Estes sintomas devem levar a uma consulta de urgência para excluir uma complicação retiniana (rasgadura, descolamento de retina), sobretudo nos pacientes míopes ou portadores de degenerescências retinianas periféricas. Não se deve esperar pela consulta programada se os sintomas forem recentes, se agravarem, ou se forem acompanhados de uma diminuição da visão.
Quando consultar o Dr. Julien Gozlan?
Pode solicitar uma consulta se apresentar uma catarata unilateral incómoda, uma catarata bilateral que lhe tenha sido diagnosticada, ou se hesitar quanto ao melhor momento para operar um ou dois olhos.
O Dr. Julien Gozlan, oftalmologista em Paris 16, realiza um exame completo (acuidade visual, biometria, topografia, fundo de olho, OCT se necessário) e constrói consigo um projeto visual personalizado: ordem das intervenções, prazo entre os dois olhos, tipo de lente intraocular e objetivos de visão (longe, perto, intermédia).
📍 Consulta no Consultório Oftalmológico Paris – Auteuil
O Dr. Julien Gozlan recebe-o no Consultório Oftalmológico Paris – Auteuil para avaliar a sua catarata unilateral ou bilateral, discutir o momento ideal para operar cada olho e escolher consigo a estratégia de lente intraocular mais adaptada ao seu estilo de vida.
Marcar consultaPara saber mais
- Catarata: compreender tudo sobre a doença antes de abordar a questão da estratégia cirúrgica.
- Cirurgia de catarata: desenvolvimento da intervenção, anestesia e pós-operatório.
- Lentes intraoculares para catarata: monofocais, tóricas, EDOF e multifocais.
- OCT macular: exame de imagiologia para analisar a retina antes da cirurgia.