Uma rotura da retina corresponde a uma fissura no tecido retiniano, frequentemente associada a uma tração do vítreo (gel que preenche o olho). Pode permanecer silenciosa durante muito tempo ou manifestar-se por moscas volantes, relâmpagos luminosos ou um véu no campo visual. O principal risco é a evolução para um descolamento de retina, que constitui uma urgência cirúrgica. O Dr. Julien Gozlan, oftalmologista em Paris 16, explica os sintomas de alerta, o diagnóstico, os tratamentos com laser e a vigilância a implementar.
O que é uma rotura da retina?
A retina é uma fina membrana que reveste o fundo do olho e transforma a luz em sinais nervosos. Com a idade, o vítreo liquefaz-se e pode descolar-se da retina (designa-se por descolamento posterior do vítreo). Se a tração for importante em determinados pontos de ancoragem, pode criar uma rotura retiniana.
Distinguem-se nomeadamente:
- as roturas em ferradura, associadas a uma forte tração do vítreo;
- os buracos retinianos (frequentes nos míopes elevados);
- as roturas em zonas degenerativas da retina periférica.
Nem todas as roturas da retina provocam um descolamento de retina, mas toda a rotura significativa deve ser avaliada rapidamente para decidir um tratamento preventivo.
Sintomas: quando suspeitar de uma rotura da retina?
Uma rotura da retina pode ser totalmente assintomática, mas vários sinais devem alertar, sobretudo se forem recentes e unilaterais (num só olho):
- aparecimento súbito de moscas volantes (corpos flutuantes) numerosas ou de aspeto invulgar;
- perceção de flashes luminosos (relâmpagos) na escuridão ou de olhos fechados;
- impressão de chuva de fuligem ou de pequenas manchas negras múltiplas;
- início de véu escuro ou de zona ocultada numa parte do campo visual.
Estes sintomas nem sempre implicam uma rotura da retina ou um descolamento de retina, mas justificam uma consulta oftalmológica rápida, idealmente nas 24 a 48 horas, a fim de verificar o estado da retina.
Diagnóstico: como se examina uma rotura da retina?
O diagnóstico de rotura da retina baseia-se num exame completo do fundo de olho após dilatação da pupila. O oftalmologista procura:
- a presença de uma rotura ou de um buraco retiniano;
- degenerescências periféricas (em paliçada, em geada, etc.) predisponentes;
- sinais de descolamento de retina inicial (levantamento da retina em redor da rotura);
- hemorragias ou exsudados no vítreo.
Conforme o contexto, outros exames de imagem podem ser utilizados:
- o OCT macular para analisar a retina central se a visão diminuir;
- a ecografia ocular em caso de opacidade dos meios (hemorragia intravítrea, catarata densa);
- um exame com indentação escleral para visualizar a periferia retiniana de difícil acesso.
O objetivo é duplo: confirmar a rotura da retina, precisar o seu tipo e localização, e pesquisar um eventual descolamento associado.
Causas e fatores de risco
Várias situações aumentam o risco de rotura retiniana:
- Miopia elevada (olho mais longo, retina mais estirada e mais frágil);
- Descolamento posterior do vítreo recente com trações importantes;
- Antecedente de descolamento de retina ou de rotura no outro olho;
- Antecedentes familiares de descolamento de retina;
- Traumatismo ocular (pancada direta, bola de desporto, airbag);
- determinadas cirurgias oculares (por exemplo, após cirurgia de catarata ou vitrectomia, conforme o contexto);
- presença de degenerescências retinianas periféricas conhecidas.
Nos pacientes em risco, um seguimento regular do fundo de olho permite detetar precocemente anomalias e propor um tratamento preventivo, se necessário.
Tratamentos da rotura da retina
O tratamento visa impedir a progressão para um descolamento de retina. Depende do tamanho, da localização da rotura e do estado da retina circundante.
Fotocoagulação laser em redor da rotura
O tratamento mais frequente é a fotocoagulação laser em redor da rotura. O oftalmologista aplica vários impactos de laser para criar uma «soldadura» circular entre a retina e a parede do olho. Esta barreira diminui fortemente o risco de o líquido se infiltrar sob a retina e provocar o seu descolamento.
O procedimento é realizado em consulta, sob anestesia por colírios. Pode ser impressionante, mas é geralmente bem tolerado. Um desconforto luminoso e um incómodo transitório são possíveis após a sessão.
Crioterapia retiniana
Quando o acesso ao fundo de olho é difícil (opacidade dos meios, má visibilidade), uma crioterapia (tratamento por frio aplicado na parede do olho) pode ser realizada em complemento ou em substituição do laser, para obter um efeito cicatricial semelhante.
Vitrectomia em caso de descolamento inicial
Se a rotura já estiver associada a um descolamento de retina inicial, um simples laser pode não ser suficiente. Uma vitrectomia (cirurgia do vítreo e da retina) com reaplicação da retina, utilização de um tamponamento interno (ar, gás ou óleo) e reforço por laser endocavitário pode então ser proposta.
A decisão é tomada caso a caso, em função da extensão do descolamento, da mácula (atingida ou não), do olho contralateral e do contexto geral.
Prognóstico e seguimento após tratamento
Após tratamento com laser ou crioterapia, a cicatrização leva alguns dias a consolidar-se. Durante este período, sintomas novos (aumento súbito das moscas, aparecimento de um véu ou de uma zona em falta no campo visual) devem levar a uma nova consulta rapidamente.
O prognóstico é geralmente favorável quando a rotura é tratada a tempo, antes de qualquer descolamento de retina. O seguimento inclui:
- um controlo precoce após o laser (frequentemente nas semanas seguintes);
- uma vigilância a mais longo prazo, sobretudo em caso de miopia elevada ou de antecedentes pessoais/familiares;
- a explicação dos sinais de alerta que nunca devem ser negligenciados.
Mesmo após um tratamento bem realizado, outras roturas podem surgir noutras zonas da retina. Daí a importância de permanecer atento aos sintomas e de manter um seguimento regular.
Conselhos práticos para os pacientes
Na prática, se uma rotura da retina foi suspeitada ou confirmada:
- não adiar a consulta em caso de moscas volantes, relâmpagos ou véu visual;
- respeitar as consultas de seguimento e as recomendações após laser ou cirurgia;
- evitar, nos dias seguintes ao tratamento, choques violentos na cabeça ou desportos de contacto;
- consultar com urgência se surgir uma sombra fixa ou uma cortina negra no campo visual;
- informar o oftalmologista em caso de projeto de cirurgia ocular ou de traumatismo ocular recente.
Perguntas frequentes: rotura da retina
Uma rotura da retina é uma urgência?
Uma rotura da retina nem sempre é uma urgência vital, mas constitui uma urgência oftalmológica relativa, pois pode preceder um descolamento de retina. Na presença de moscas volantes invulgares, de flashes luminosos ou de um véu no campo visual, recomenda-se consultar rapidamente, idealmente nas 24 a 48 horas, a fim de verificar o estado da retina e tratar se necessário.
O tratamento com laser da rotura é doloroso?
O laser retiniano é realizado sob anestesia local por colírios. Pode ser sentido como um desconforto ou incómodo, por vezes com ligeiras dores breves durante certos impactos, mas é geralmente suportável. Uma sensação de olho cansado ou irritado é possível após a sessão e acalma com os colírios prescritos. Em caso de dor importante ou persistente, deve contactar o consultório.
Todas as roturas da retina provocam um descolamento?
Não. Algumas roturas da retina permanecem estáveis, sobretudo quando são pequenas, antigas ou já rodeadas por uma cicatriz natural. Em contrapartida, uma rotura recente, mal delimitada ou muito trativa tem um risco real de conduzir a um descolamento de retina se não for tratada. É por isso que o oftalmologista avalia, em cada caso, o tamanho, a localização e o aspeto da rotura antes de propor ou não um tratamento preventivo com laser.
Posso viajar de avião após o tratamento de uma rotura da retina?
Após um laser isolado, a viagem de avião é geralmente possível uma vez o olho estabilizado, salvo indicação contrária do oftalmologista. Em contrapartida, se tiver sido realizada uma vitrectomia com gás intraocular, o voo de avião está estritamente contraindicado enquanto o gás estiver presente, devido ao risco de aumento perigoso da pressão intraocular. O cirurgião precisa sempre a duração durante a qual o avião está proibido e a data a partir da qual as deslocações aéreas são novamente autorizadas.
Que sinais devem levar a uma consulta de urgência após laser para rotura?
Após um tratamento com laser, deve consultar com urgência se surgirem: uma diminuição súbita da visão, um véu negro ou uma sombra fixa no campo visual, um aumento brusco das moscas volantes ou dos flashes luminosos, ou uma dor importante. Estes sinais podem evocar um descolamento de retina ou uma nova rotura, que necessitam de uma reavaliação rápida. Na dúvida, é preferível contactar o consultório do que aguardar o controlo programado.
Poderei retomar o desporto após uma rotura retiniana?
Sim, na maioria dos casos, mas com precauções. As atividades físicas suaves (caminhada, bicicleta tranquila) podem ser retomadas rapidamente após acordo do oftalmologista. Em contrapartida, os desportos de contacto (boxe, artes marciais, râguebi) ou com risco de choque na cabeça devem ser discutidos caso a caso, sobretudo nos pacientes com miopia elevada ou com antecedentes de descolamento de retina. O objetivo é limitar os traumatismos suscetíveis de reativar trações sobre a retina.
Uma vez tratada, a rotura da retina pode «reaparecer»?
Uma rotura já bem cerclada com laser está, em geral, definitivamente cicatrizada. Não se «fecha», mas a retina fica soldada em redor da zona frágil, o que protege contra a progressão do líquido sub-retiniano. Em contrapartida, outras roturas podem surgir mais tarde, noutro local da retina, sobretudo nos indivíduos em risco. Daí a importância de um seguimento regular e de uma vigilância face a novos sintomas.
Tenho maior risco de descolamento de retina se um familiar meu foi operado?
Sim, um antecedente familiar de descolamento de retina faz parte dos fatores de risco, sobretudo se associado a uma miopia elevada. Isso não significa que o descolamento seja inevitável, mas justifica uma vigilância mais atenta do fundo de olho e uma consulta rápida em caso de sintomas (moscas, relâmpagos, véu). O oftalmologista pode também decidir proteger determinadas zonas frágeis por laser preventivo em casos bem definidos.
Quando consultar o Dr. Julien Gozlan?
Pode solicitar uma consulta de urgência se apresentar moscas volantes invulgares, relâmpagos luminosos ou o aparecimento de um véu no campo visual. Um controlo é igualmente recomendado se tiver miopia elevada, se tiver antecedentes pessoais ou familiares de descolamento de retina, ou se uma rotura já tiver sido tratada no outro olho.
O Dr. Julien Gozlan, oftalmologista em Paris 16, realiza um exame aprofundado do fundo de olho, complementa-o, se necessário, com exames de imagem, e discute consigo a necessidade de um tratamento com laser, de uma simples vigilância aproximada ou de uma eventual abordagem cirúrgica em caso de descolamento inicial.
📍 Consulta no Consultório Oftalmológico Paris – Auteuil
O Dr. Julien Gozlan recebe-o no Consultório Oftalmológico Paris – Auteuil para avaliar uma rotura da retina, rastrear eventuais lesões periféricas de risco e implementar, se necessário, um tratamento preventivo com laser ou um seguimento personalizado.
Marcar ConsultaPara saber mais
- Descolamento de retina: sintomas de urgência e abordagem cirúrgica.
- OCT macular: exame de imagem indispensável para analisar a retina.
- Injeções intravítreas (IVT): tratamentos associados em determinadas patologias retinianas.
- Rotura retiniana: tratamento laser de urgência em urgence-retine-paris.fr: abordagem urgente por fotocoagulação com laser.