Após uma cirurgia de catarata, a visão melhora, em geral, de forma duradoura. Alguns meses ou anos mais tarde, certos pacientes notam, contudo, uma nova diminuição da visão. Não se trata de um «fracasso da operação», mas, na maioria dos casos, de uma catarata secundária, relacionada com a opacificação progressiva da membrana situada atrás da lente intraocular. O Dr. Julien Gozlan, cirurgião oftalmologista em Paris 16, explica os sintomas, o diagnóstico e o tratamento por laser YAG.
O que é a catarata secundária?
Durante a operação de catarata, o cristalino opacificado é removido, mas o seu fino invólucro, denominado cápsula, é conservado para nele colocar a lente intraocular. Com o tempo, células residuais podem proliferar sobre esta cápsula e torná-la progressivamente mais opaca: é a catarata secundária, ou opacificação capsular posterior.
Esta situação é frequente, sobretudo em pacientes operados jovens. Não é grave e trata-se eficazmente em consulta, graças a uma pequena abertura da cápsula realizada com laser YAG.
Sintomas: quando suspeitar de uma catarata secundária?
A catarata secundária manifesta-se tipicamente por uma diminuição progressiva da visão, quando a vista já tinha melhorado após a operação inicial. Os pacientes descrevem frequentemente:
- uma impressão de véu ou de desfocagem diante do olho operado;
- um encandeamento mais acentuado, sobretudo com luz forte ou na condução noturna;
- uma dificuldade na leitura ou nos detalhes finos;
- por vezes, uma perda de contraste ou cores menos vivas.
Estes sintomas podem recordar os da catarata original, mas surgem quando o cristalino já foi substituído por uma lente intraocular. Justificam um controlo oftalmológico, sobretudo se o incómodo aumenta ao longo das semanas.
Como se confirma o diagnóstico?
O diagnóstico de catarata secundária baseia-se num exame completo em consulta. Após a medição da acuidade visual, o médico examina o segmento anterior com a lâmpada de fenda: observa uma opacificação da cápsula situada atrás da lente intraocular, assumindo por vezes um aspeto em «teia de gelo» ou em placas.
Quando se suspeitam outras patologias (afetação macular, edema, DMRI…), um exame de imagiologia como o OCT macular pode ser realizado para verificar que a diminuição da visão não está relacionada com uma doença da retina.
Como se apresenta uma catarata secundária na lâmpada de fenda?
A opacificação capsular posterior pode assumir formas diferentes, o que explica que o incómodo varie de paciente para paciente. Observa-se mais frequentemente:
- uma opacificação difusa em véu (aspeto «geada»);
- placas mais densas centradas no eixo visual;
- uma forma dita «perlada» (tipo pérolas de Elschnig) causando um incómodo flutuante com a iluminação.
Na prática, é sobretudo a afetação do eixo visual central que determina a perda de acuidade e a indicação de tratamento.
Catarata secundária: causas e fatores predisponentes
A catarata secundária está relacionada com a proliferação de células residuais do cristalino sobre a cápsula posterior. Vários elementos podem influenciar o seu aparecimento:
- a idade no momento da intervenção (mais frequente em pacientes operados jovens);
- a natureza da catarata inicial e a reação do olho após a cirurgia;
- o tipo de lente intraocular utilizada e a forma como se adapta à cápsula;
- certos contextos particulares (diabetes, inflamação ocular prévia, miopia forte…).
As lentes intraoculares modernas são concebidas para limitar este fenómeno, mas ele continua a ser possível, mesmo vários anos após uma cirurgia tecnicamente perfeita.
Capsulotomia com laser YAG: o tratamento de referência
Princípio do laser YAG
A capsulotomia com laser YAG é um procedimento realizado em consulta, sem incisão. Consiste em criar uma pequena abertura circular no centro da cápsula opacificada, atrás da lente intraocular. A luz pode então voltar a atravessar livremente até à retina e a visão clarifica-se.
O laser atua unicamente sobre a cápsula, sem tocar na córnea, na lente intraocular nem na retina. Não se trata de uma nova cirurgia de catarata, mas de um complemento não invasivo.
Quando se deve realizar um laser YAG?
O tratamento com laser YAG é ponderado quando a catarata secundária se torna incómoda e explica a diminuição da visão. Os critérios mais frequentes são:
- uma diminuição da acuidade visual documentada (de longe e/ou de perto);
- um incómodo funcional significativo (leitura, condução, encandeamento);
- uma opacificação central visível atrás da lente intraocular;
- uma discordância entre a correção ótica (óculos) e a visão obtida.
Inversamente, se a opacificação é discreta e a visão se mantém boa, uma simples vigilância pode ser suficiente.
Desenrolar da sessão
A capsulotomia com laser YAG desenrola-se em algumas etapas:
- instilação de colírios para dilatar a pupila e, por vezes, prevenir a subida da pressão intraocular;
- posicionamento diante de uma lâmpada especial, semelhante à do exame habitual;
- colocação eventual de uma pequena lente de contacto sobre o olho, com gel, para focar o laser;
- aplicação de vários impactos de laser YAG para abrir a cápsula no centro do campo visual.
O exame é indolor, mas o paciente pode perceber pequenos estalidos e ver clarões luminosos durante a aplicação dos impactos.
Pós-procedimento e recuperação visual
Após o procedimento, a visão pode ficar turva durante algumas horas devido à dilatação e a micropartículas no vítreo. A maioria dos pacientes constata uma melhoria rápida da nitidez nas horas seguintes, com uma melhor perceção dos contrastes e dos detalhes.
Um controlo pode ser realizado nas horas ou nos dias seguintes à capsulotomia. Colírios anti-inflamatórios são por vezes prescritos durante alguns dias. O resultado é, em geral, duradouro: a cápsula, uma vez aberta, não volta a fechar-se.
Riscos e complicações possíveis
A capsulotomia com laser YAG é um procedimento seguro e muito prático. Como qualquer ato médico, comporta, todavia, riscos, raros mas possíveis:
- elevação transitória da pressão intraocular;
- ligeiro desconforto ou irritação ocular passageira;
- muito raramente, inflamação intraocular ou deslocamento da lente intraocular;
- de forma excecional, descolamento de retina ou edema macular em pacientes de risco.
Estes eventos permanecem raros face ao número de capsulotomias realizadas todos os anos. Uma anamnese e um exame cuidadosos permitem avaliar a relação benefício/risco em cada caso.
Conselhos práticos após um laser YAG
Após o tratamento de uma catarata secundária por laser YAG, algumas recomendações simples são úteis:
- respeitar o tratamento com colírios prescrito, caso exista;
- não esfregar o olho de forma excessiva no dia da sessão;
- consultar com urgência em caso de dor intensa, diminuição súbita da visão ou aparecimento de um véu negro;
- prever, se necessário, uma atualização dos seus óculos algumas semanas depois, caso a correção deva ser adaptada.
Nos pacientes com DMRI, diabetes ou outras patologias oculares, o acompanhamento de base permanece indispensável após o tratamento da catarata secundária.
Perguntas frequentes: laser YAG e catarata secundária
A catarata pode «voltar» várias vezes?
Não. A catarata original não volta porque o cristalino foi removido. A catarata secundária corresponde à opacificação da cápsula situada atrás da lente intraocular. Uma vez que esta cápsula é aberta de forma suficiente pelo laser YAG, a opacificação geralmente não se volta a formar. Em casos raros, um pequeno complemento pode ser necessário se a abertura inicial tiver sido voluntariamente limitada ou se uma zona permanecer incómoda no eixo visual.
O laser YAG é doloroso?
Não. O procedimento é realizado com colírios e não requer anestesia geral. Pode sentir-se um ligeiro desconforto causado pela lente de contacto (se utilizada) e pela luz, por vezes a sensação de pequenos «estalos» do laser, mas não há verdadeira dor. Se surgir uma sensibilidade importante, deve ser comunicada imediatamente para que o exame seja adaptado.
Quanto tempo dura a sessão?
A sessão é rápida. O laser em si dura frequentemente alguns minutos. É necessário, contudo, prever um pouco mais de tempo no consultório para a instilação dos colírios (dilatação e/ou prevenção da inflamação), a verificação do olho após o procedimento e, conforme os casos, um controlo da pressão intraocular.
Pode-se conduzir após a sessão?
Como a pupila está frequentemente dilatada, a visão pode ficar turva e com encandeamento durante algumas horas. É, por isso, preferível não conduzir imediatamente após o laser e organizar o regresso acompanhado, se possível. A maioria dos pacientes retoma as suas atividades habituais no dia seguinte, conforme a qualidade da visão e as indicações dadas.
Quando se nota a melhoria da visão?
A melhoria é frequentemente rápida: em algumas horas a alguns dias. Uma visão turva transitória pode surgir logo após o procedimento, sobretudo se a pupila estiver dilatada ou se persistirem alguns detritos capsulares em suspensão. Se a diminuição visual persistir ou for acompanhada de dor, deve contactar o consultório.
Existe risco de descolamento de retina?
O risco é raro, mas existe, sobretudo em pacientes muito míopes ou que já tiveram um descolamento de retina. Por isso, um exame adequado e um acompanhamento são importantes. Após um laser YAG, o aparecimento de flashes, de uma chuva de corpos flutuantes ou de um véu negro deve levar a consultar rapidamente.
É necessário repetir a intervenção?
Na grande maioria dos casos, uma única capsulotomia é suficiente. Raramente, alguns pacientes podem necessitar de um complemento se a abertura inicial tiver sido voluntariamente limitada (por prudência) ou se uma zona opacificada ainda incomodar o eixo visual. Na maioria das vezes, se a abertura estiver bem centrada e for suficientemente ampla, o resultado é duradouro.
O laser YAG altera a lente intraocular?
Não. O laser atua sobre a cápsula situada atrás da lente intraocular, não sobre a lente intraocular em si. A lente intraocular não é substituída e não se trata de uma nova cirurgia intraocular, no sentido em que não se volta a abrir o olho. O objetivo é simplesmente recriar uma «janela» transparente na cápsula para deixar passar a luz.
Quando consultar o Dr. Julien Gozlan?
Se constatar uma diminuição da visão, uma sensação de véu ou um encandeamento que reaparecem após uma cirurgia de catarata, é recomendável uma avaliação para confirmar uma catarata secundária e excluir outra causa.
O Dr. Julien Gozlan, oftalmologista em Paris 16, realiza o exame, explica-lhe a origem do incómodo e discute consigo a indicação de um laser YAG.
📍 Consulta no Consultório Oftalmológico Paris – Auteuil
O Dr. Julien Gozlan recebe-o no Consultório Oftalmológico Paris – Auteuil para avaliar uma diminuição da visão após cirurgia de catarata, confirmar ou não uma catarata secundária e realizar uma capsulotomia com laser YAG, se necessário.
Marcar ConsultaPara saber mais
- Catarata : compreender a doença inicial cujo tratamento pode ser seguido de uma opacificação secundária.
- Cirurgia de catarata : desenrolar da intervenção, lentes intraoculares e pós-operatório.
- Lentes intraoculares : tipos de lentes intraoculares e correção da visão.
- OCT macular : útil quando se suspeita de outra causa retiniana.
- Descolamento de retina : sintomas de urgência e abordagem terapêutica.