A angiografia com fluoresceína é um exame de imagiologia da retina que permite observar a circulação sanguínea e identificar fugas, hemorragias ou isquemias. Realizado no consultório, este exame ajuda a estabelecer um diagnóstico preciso e a orientar o tratamento das afeções maculares, como a DMRI, ou das afeções vasculares retinianas, como a OVCR. O Dr. Julien Gozlan explica-lhe o seu princípio, as suas indicações, o seu desenrolar e os seus riscos.
O que é a angiografia com fluoresceína?
A angiografia com fluoresceína consiste em injetar por via venosa um corante fluorescente (fluoresceína sódica) e, em seguida, fotografar a retina com o auxílio de uma câmara especial. O corante, visível sob luz azul, evidencia o trajeto dos vasos e eventuais fugas ou zonas mal perfundidas. Ao contrário de outras técnicas, a angiografia com fluoresceína foca sobretudo a circulação retiniana superficial e complementa perfeitamente o exame por OCT macular.
Em que casos realizar uma angiografia com fluoresceína?
Este exame é proposto quando os sintomas ou o exame clínico sugerem uma afeção vascular, macular ou periférica. É particularmente útil para:
- Degeneração macular relacionada à idade (DMRI): confirma o diagnóstico em caso de neovasos coroideus ditos "visíveis".
- Retinopatia diabética: em caso de afeção avançada, permite precisar o estadio e orientar o momento do tratamento.
- Oclusões venosas retinianas (OVCR ou OBVR): confirma o diagnóstico e pesquisa complicações (não perfusão, edema macular, neovasos).
Frequentemente associada ao OCT macular, a angiografia com fluoresceína precisa a causa do edema e ajuda a escolher o tratamento (injeções, laser, cirurgia).
Como decorre uma angiografia com fluoresceína?
O exame é realizado em consulta. Após um breve interrogatório (alergias, gravidez, antecedentes), pode proceder-se à dilatação das pupilas. Uma enfermeira ou o médico injeta a fluoresceína numa veia do braço; a câmara capta então imagens rápidas no início (fase precoce) e depois mais espaçadas (fases intermédia e tardia).
- Duração: cerca de 10 minutos.
- Incómodo durante o exame: luz intensa da câmara, visão turva transitória devida à dilatação.
- Após o exame: a pele pode ficar ligeiramente amarelada e a urina tornar-se amarela/alaranjada durante algumas horas (eliminação do corante).
O exame é indolor; a punção venosa pode deixar uma sensibilidade no local da injeção, tal como numa colheita de sangue.
O que mostra a angiografia com fluoresceína
Graças à angiografia com fluoresceína, é possível visualizar: fugas dos capilares retinianos (edema), microaneurismas, zonas de não perfusão capilar retiniana, neovasos retinianos ativos, neovasos coroideus visíveis e alterações do epitélio pigmentar. Na DMRI, ajuda a confirmar um diagnóstico duvidoso; na retinopatia diabética, orienta o momento do laser retiniano (fotocoagulação panretiniana).
Riscos e efeitos secundários da angiografia com fluoresceína
Os efeitos indesejáveis mais frequentes são benignos: náusea passageira, afrontamento, sabor metálico. Mais raramente podem ocorrer urticária, lipotimia vagal ou extravasamento local no local da punção. As reações alérgicas graves, do tipo choque anafilático, são excecionais; a equipa dispõe do material necessário em caso de necessidade. Para os aspetos práticos e as precauções em doentes de risco, as recomendações da SFO estão detalhadas no documento: «Riscos e precauções na utilização de corantes para angiografia em oftalmologia».
Informe o médico em caso de antecedentes de alergia medicamentosa, asma ou gravidez. Na ausência de contraindicação, a angiografia com fluoresceína permanece um exame seguro e muito informativo.
Após o exame: interpretação e seguimento
As imagens da angiografia com fluoresceína são interpretadas em conjunto com o OCT e o exame clínico para estabelecer um diagnóstico e um plano de tratamento personalizado: injeções intravítreas, fotocoagulação a laser ou simples vigilância. O objetivo é preservar a visão e prevenir as complicações associadas às doenças retinianas.
FAQ: perguntas frequentes sobre a angiografia com fluoresceína
Devo estar em jejum no dia da angiografia com fluoresceína?
Na maioria dos casos, não é necessário estar totalmente em jejum para uma angiografia com fluoresceína, sendo mesmo preferível ter feito uma refeição ligeira para limitar o risco de lipotimia vagal ou de náuseas. No entanto, é aconselhável evitar uma refeição muito pesada imediatamente antes do exame. Se estiver a ser acompanhado por uma patologia particular (gravidez, insuficiência cardíaca ou renal, alergias complexas), as instruções podem ser adaptadas caso a caso pelo seu oftalmologista ou pelo seu médico assistente.
Posso conduzir após uma angiografia com fluoresceína?
Logo após o exame, a visão fica frequentemente turva durante algumas horas devido à dilatação das pupilas e à forte luminosidade utilizada para as fotografias. É, portanto, preferível não conduzir imediatamente após uma angiografia com fluoresceína. O ideal é vir acompanhado ou prever o regresso em transportes, aguardando depois que a visão se torne confortável antes de retomar a condução. A maioria dos doentes sente-se de novo à vontade ao final do dia ou na manhã seguinte.
A angiografia com fluoresceína é contraindicada em caso de alergia ou de insuficiência renal?
Uma alergia conhecida à fluoresceína constitui uma contraindicação formal e deve ser comunicada antes do exame. Em caso de antecedentes alérgicos importantes (asma, choque, alergias medicamentosas graves), a angiografia pode continuar a ser possível, mas com precauções reforçadas, ou ser substituída por outra imagiologia consoante a situação. A insuficiência renal moderada não constitui, em geral, uma contraindicação, uma vez que a fluoresceína não utiliza os mesmos mecanismos de eliminação que certos produtos de contraste utilizados na tomografia computorizada. Em todos os casos, é essencial mencionar os seus antecedentes (alergias, gravidez, patologias renais ou cardíacas) para adaptar a estratégia com toda a segurança.
Qual é a diferença entre angiografia com fluoresceína, OCT e OCT-angiografia?
O OCT macular fornece cortes detalhados da retina e mostra sobretudo a arquitetura e a espessura dos tecidos. A OCT-angiografia (OCT-A) visualiza determinados fluxos sanguíneos sem injeção de corante, o que é muito útil para o seguimento. A angiografia com fluoresceína, por sua vez, continua a ser o exame de referência para analisar a permeabilidade dos capilares retinianos, as fugas e as zonas de isquemia. Permite observar a dinâmica da passagem do corante ao longo do tempo, o que permanece insubstituível em determinadas situações (formas complexas de DMRI, oclusões venosas extensas, retinopatia diabética proliferativa, etc.). Na prática, estes exames são complementares e não concorrentes.
Quanto tempo dura o desconforto após a angiografia com fluoresceína?
A maioria dos doentes sente sobretudo um incómodo luminoso e visão turva durante algumas horas devido à dilatação pupilar. A coloração amarelada da pele e da urina desaparece geralmente em menos de 24 horas, tempo necessário para a eliminação do corante. As náuseas, quando ocorrem, são breves e cedem espontaneamente sem tratamento específico. Se surgirem sintomas mais acentuados após o exame (erupção cutânea, mal-estar persistente, dificuldades respiratórias), deve consultar rapidamente um médico ou dirigir-se às urgências para excluir uma reação mais importante.
Com que frequência deve repetir-se uma angiografia com fluoresceína?
Não existe um ritmo padrão válido para todos. A angiografia com fluoresceína é geralmente realizada aquando do diagnóstico inicial e depois repetida apenas se a situação clínica o justificar: agravamento da visão, alteração do OCT, suspeita de neovasos ou de novas zonas de isquemia. Para o seguimento corrente, o OCT e, se necessário, a OCT-angiografia são frequentemente suficientes e evitam multiplicar as injeções de corante. O seu oftalmologista propõe, portanto, a angiografia apenas quando o exame é suscetível de modificar a abordagem terapêutica (decisão de injeções, de laser ou alteração da estratégia terapêutica).
A angiografia com fluoresceína é compatível com a gravidez ou a amamentação?
Durante a gravidez, a angiografia com fluoresceína é, em princípio, evitada quando outro exame (OCT, OCT-A) pode fornecer informações suficientes. Pode, no entanto, ser discutida caso a caso perante um risco visual importante, após concertação entre o oftalmologista, o médico de referência e a doente. Durante o período de amamentação, o exame continua a ser possível: recomenda-se por vezes, por precaução, extrair e descartar o leite durante 24 horas após a injeção. Em todos os casos, é essencial informar a equipa de que está grávida ou a amamentar antes de programar o exame.
📍 Angiografia com fluoresceína no Consultório Oftalmológico Paris – Auteuil
O Dr. Julien Gozlan coloca a indicação da angiografia com fluoresceína, realiza o exame e interpreta-o de forma a estabelecer a estratégia mais adequada à sua situação (diagnóstico, tratamento, ritmo de vigilância).
Marcar ConsultaPara saber mais
- OCT macular: o exame complementar de eleição para analisar a retina central.
- Degeneração macular relacionada à idade (DMRI): quando e porquê complementar com uma angiografia com fluoresceína.
- Injeções intravítreas (IVT): tratamento orientado pelo OCT e pela imagiologia retiniana.