A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e a catarata são duas doenças oculares muito frequentes após os 60 anos. Muitos pacientes colocam a seguinte questão: DMRI e catarata, a operação é arriscada? Pode agravar a mácula? O Dr. Julien Gozlan, cirurgião oftalmologista em Paris 16, resume o que mostram os dados científicos e o que é importante saber antes de ser operado.
Recordatório: duas doenças diferentes
A DMRI afeta a mácula, zona central da retina que permite a visão fina: leitura, reconhecimento de rostos, condução. Pode provocar uma visão central desfocada, linhas deformadas ou uma mancha escura no centro da imagem.
A catarata corresponde à opacificação progressiva do cristalino, a lente natural do olho. A luz é menos bem transmitida, a visão torna-se velada, baça, por vezes amarelada. A cirurgia consiste em remover este cristalino opaco e substituí-lo por uma lente intraocular transparente.
DMRI e catarata: a cirurgia agrava a doença?
Durante muito tempo, suspeitou-se que a operação de catarata pudesse acelerar a evolução de uma doença macular. Os estudos modernos, realizados em grandes grupos de pacientes acompanhados durante vários anos, não encontram um aumento significativo do risco de progressão para uma forma avançada nas pessoas operadas, comparativamente àquelas que não o foram, com idade e fatores de risco semelhantes.
Na prática, quando uma catarata incómoda coexiste com uma DMRI estável, a intervenção é frequentemente benéfica: a visão torna-se mais luminosa, o contraste melhora e as atividades quotidianas são mais confortáveis. A mácula deve continuar a ser vigiada, mas a cirurgia de catarata não é considerada uma causa direta de agravamento.
Porque é que por vezes temos a impressão de um agravamento após a operação?
Após a cirurgia, a imagem que chega à retina é mais clara. Lesões maculares que estavam "mascaradas" pela catarata tornam-se visíveis no exame e mais percetíveis para o paciente. Pode então ter-se a impressão de que a DMRI progrediu bruscamente, quando na realidade já estava presente.
Além disso, uma melhor acuidade visual torna por vezes mais evidentes as deformações (metamorfópsias) ou a mancha central. Esta perceção não traduz necessariamente uma aceleração da doença, mas sim uma perceção mais nítida dos sintomas.
OCT macular: o exame indispensável antes de operar
Antes de uma cirurgia de catarata num paciente com DMRI (ou suspeita de doença macular), o exame mais útil é o OCT macular. Permite analisar a mácula em profundidade, mesmo quando a catarata dificulta a qualidade do fundo de olho.
O OCT pode mostrar:
- drusen (pequenos depósitos) compatíveis com uma forma inicial;
- sinais de atrofia (forma seca avançada);
- um descolamento do epitélio pigmentar;
- líquido intrarretiniano ou sub-retiniano, sugestivo de uma forma exsudativa;
- remodelações cicatriciais que explicam uma limitação do prognóstico visual.
Este exame ajuda a distinguir o que se deve ao cristalino (catarata) e o que se deve realmente à mácula (DMRI).
O que a cirurgia de catarata pode melhorar… e o que não pode
A cirurgia de catarata melhora sobretudo:
- a sensação de véu e de nevoeiro;
- a luminosidade da visão;
- o contraste;
- o encandeamento associado à opacidade do cristalino.
Em contrapartida, não "repara" as lesões maculares. Se a DMRI estiver avançada, a visão central pode permanecer limitada apesar de uma cirurgia tecnicamente perfeita. O objetivo é então sobretudo melhorar o conforto visual e a qualidade de vida.
Lentes amarelas (filtros azuis): úteis em caso de DMRI?
Algumas lentes intraoculares são tingidas de amarelo e filtram parte da luz azul. Foram propostas para proteger a retina e abrandar, a longo prazo, a evolução de uma degeneração macular.
Os dados disponíveis não demonstram, até à data, um benefício claro destes filtros na prevenção ou na progressão da DMRI. Em contrapartida, estas lentes não parecem ser nocivas para a qualidade de visão e podem diminuir ligeiramente o encandeamento em alguns pacientes.
DMRI exsudativa e injeções: é possível operar na mesma?
Nos pacientes com DMRI exsudativa, tratada por injeções intravítreas, a cirurgia de catarata continua a ser possível. Deve simplesmente ser planeada no momento adequado.
Na prática, opera-se preferencialmente quando a doença está estabilizada: ausência de líquido significativo no OCT, tratamento bem calibrado, seguimento regular. Uma vez removida a catarata, a vigilância da mácula é frequentemente mais fiável.
Abordagem terapêutica se tem DMRI e catarata
Antes de qualquer decisão operatória, é realizado um balanço completo: exame do fundo de olho, OCT macular, medição da acuidade visual e análise do impacto funcional da catarata. A intervenção é proposta quando o véu associado ao cristalino opaco perturba a vida quotidiana: leitura, deslocações, por vezes condução.
Após a operação, a DMRI é acompanhada como anteriormente, com controlos regulares, eventualmente injeções em caso de forma exsudativa, e uma autovigilância com a grelha de Amsler em casa. A cirurgia de catarata não impede a continuação dos tratamentos nem a deteção de uma evolução.
FAQ: perguntas frequentes sobre a DMRI e a catarata
Em que casos a cirurgia de catarata é realmente útil quando se tem DMRI?
A indicação não se baseia unicamente no estádio da DMRI, mas naquilo que faz com os seus olhos no dia a dia. A cirurgia é sobretudo discutida quando a catarata limita concretamente as suas atividades: leitura, cozinhar, deslocações no exterior, condução ocasional, trabalhos manuais, etc. Mesmo que a DMRI limite a acuidade máxima, ganhar em luminosidade e em conforto visual pode mudar o quotidiano. Inversamente, se a catarata permanece pouco incómoda na vida corrente, pode ser razoável adiar a intervenção e concentrar-se no seguimento macular e nos eventuais tratamentos da DMRI.
Como se define o objetivo visual quando se tem simultaneamente catarata e DMRI?
O objetivo não é o mesmo que num paciente sem DMRI. Em vez de visar «10/10 sem óculos», procura-se obter a melhor visão funcional possível tendo em conta o estado da mácula. Concretamente, discutem-se situações precisas: ler algumas linhas com boa iluminação, reconhecer um rosto a uma distância razoável, deslocar objetos na cozinha, ver os degraus ou os passeios. O balanço macular permite antecipar se o ganho esperado será modesto ou mais significativo, e ajustar as expectativas para evitar falsas promessas, tirando partido dos benefícios da cirurgia de catarata quando pertinente.
A abordagem terapêutica muda se a minha DMRI já está a ser tratada com injeções intravítreas?
Sim, a organização é ligeiramente adaptada, sem pôr em causa a possibilidade de operar. Quando recebe injeções intravítreas para uma forma exsudativa de DMRI, procura-se geralmente intervir numa fase de estabilidade: líquido macular bem controlado no OCT, ritmo de injeções regular, ausência de surto recente. As sessões de injeção são depois reprogramadas em torno da data da operação para não interromper o tratamento mais tempo do que o necessário. Na prática, catarata e DMRI são portanto abordadas em conjunto, com um calendário coordenado entre cirurgia, controlos OCT e injeções.
Que tipo de lente privilegiar quando se tem DMRI?
Na presença de DMRI, visa-se antes de tudo uma imagem o mais nítida e contrastada possível sobre a mácula fragilizada. Por isso, privilegiam-se quase sempre lentes monofocais, eventualmente com um ligeiro compromisso para facilitar uma distância particular (por exemplo a leitura ou o ecrã de computador), em vez de lentes multifocais. A escolha de um eventual filtro amarelo ou de uma correção ligeiramente diferente entre os dois olhos é discutida caso a caso em função dos seus hábitos (leitura, ecrãs, condução noturna) e do estado de cada olho. O objetivo continua a ser encontrar o perfil ótico mais confortável para a sua DMRI, sem modificar a doença em si.
Existem precauções particulares de convalescença quando se tem DMRI?
A convalescença após cirurgia de catarata é globalmente a mesma que num paciente sem DMRI (colírios, higiene ocular, evitar traumatismos, etc.), mas o seguimento macular é mais frequente. Após a fase pós-operatória imediata, podem ser propostos OCT mais frequentes para verificar que a mácula não apresenta nova fuga ou agravamento da DMRI. Em casa, é útil continuar a vigiar cada olho separadamente, por exemplo com uma grelha de Amsler, e comunicar rapidamente qualquer alteração visual invulgar (deformações mais acentuadas, mancha central, diminuição brusca). A ideia é beneficiar do ganho de transparência do cristalino mantendo-se muito reativo em caso de evolução macular.
É necessário adaptar os meus óculos ou ajudas visuais após a operação?
Sim, uma reavaliação ótica é quase sempre necessária. Uma vez removida a catarata, a correção de que necessita já não é a mesma, e a DMRI pode tornar úteis ajudas de baixa visão: lupas, filtros coloridos, iluminação reforçada, teleampliadores, etc. Estas adaptações são discutidas após a estabilização pós-operatória, quando a visão se estabiliza. Em alguns pacientes, a associação de uma cirurgia de catarata bem conduzida e de ajudas óticas bem escolhidas permite recuperar uma leitura mais confortável ou uma melhor autonomia nos gestos do quotidiano, mesmo que a DMRI limite a visão central puramente quantificada.
Quando consultar o Dr. Julien Gozlan?
Pode solicitar uma opinião especializada se uma catarata foi diagnosticada e se já apresenta uma lesão da mácula, ou se lhe falaram de DMRI sem que saiba se é razoável ser operado. Sintomas como uma visão velada, sensação de nevoeiro, mas também linhas que ondulam ou uma mancha no centro do campo visual devem motivar uma consulta.
O Dr. Julien Gozlan, oftalmologista em Paris 16, realiza um exame completo dos seus olhos, avalia a importância relativa da catarata e da doença macular e explica-lhe de forma personalizada o interesse e o momento oportuno para uma eventual cirurgia.
📍 Consulta no Consultório Oftalmológico Paris – Auteuil
O Dr. Julien Gozlan recebe-o no Consultório Oftalmológico Paris – Auteuil para fazer o ponto de situação sobre a sua catarata, uma eventual DMRI e a escolha da lente intraocular mais adequada à sua situação.
Marcar ConsultaPara saber mais
- Degeneração macular relacionada à idade (DMRI): sintomas, diagnóstico e abordagens terapêuticas.
- Cirurgia de catarata: procedimento, lentes e pós-operatório.
- OCT macular: o exame essencial para analisar a retina central.
- Associação DMRI: informações e recursos complementares para os pacientes.