A catarata em olho funcional único representa uma situação clínica particular que exige uma abordagem rigorosa e adaptada. Quando um paciente dispõe apenas de um olho com visão — estando o outro não funcional devido a um traumatismo, a uma patologia retiniana grave ou a uma ambliopia profunda — o desafio da cirurgia de catarata torna-se consideravelmente mais elevado. O Dr. Julien Gozlan, oftalmologista cirurgião especializado em cirurgia de catarata e doenças da retina em Paris 16, acompanha estes pacientes com uma atenção particular. Neste artigo, abordamos as especificidades desta situação, as precauções pré-operatórias indispensáveis, o decorrer da intervenção, os riscos específicos e os resultados que se podem esperar.
O que é um olho funcional único?
Fala-se de olho funcional único quando um paciente dispõe apenas de um olho capaz de assegurar uma visão útil. O outro olho pode ter sido perdido ou tornado não funcional por diversas causas: traumatismo ocular grave, descolamento de retina antigo não recuperado, glaucoma avançado, ambliopia profunda desde a infância, ou ainda sequelas de uma patologia vascular retiniana. Esta situação afeta um número considerável de pacientes, em particular entre as pessoas idosas.
Neste contexto, o olho restante suporta a totalidade da função visual do paciente. Qualquer afeção deste olho — incluindo uma catarata evolutiva — tem consequências diretas e significativas na autonomia, na qualidade de vida e na segurança quotidiana. É por isso que a abordagem da catarata num olho único exige uma conduta médica e cirúrgica particularmente meticulosa.
Porque é que a cirurgia é necessária apesar do risco?
A catarata é uma opacificação progressiva do cristalino que provoca uma diminuição inevitável da visão se não for tratada. Não existe nenhum tratamento medicamentoso capaz de a fazer regredir. Num paciente monoftalmo funcional, a progressão da catarata pode conduzir a uma situação de quase-cegueira, com repercussões dramáticas na autonomia.
Não operar não é, portanto, uma opção razoável a médio prazo. O objetivo é restaurar a melhor acuidade visual possível neste olho único, minimizando os riscos associados à intervenção. A cirurgia de catarata por facoemulsificação é, atualmente, uma intervenção muito codificada, com uma taxa de sucesso superior a 98%. No entanto, no paciente monoftalmo, o cirurgião deve redobrar as precauções, pois a menor complicação, mesmo rara, pode ter consequências funcionais graves.
Precauções pré-operatórias específicas
Um exame oftalmológico completo e aprofundado
Antes de qualquer decisão cirúrgica, é realizado um exame exaustivo do olho único. Este inclui um exame do fundo de olho dilatado, uma tomografia de coerência ótica (OCT) macular para avaliar o estado da retina, uma medição precisa da pressão intraocular e um exame atento do segmento anterior. Este exame permite detetar eventuais patologias retinianas associadas — DMRI, membrana epirretiniana, retinopatia diabética — suscetíveis de limitar o prognóstico visual pós-operatório ou de modificar a estratégia cirúrgica.
Uma biometria de alta precisão
O cálculo da potência da lente intraocular deve ser realizado com o maior rigor. Uma biometria ocular de alta precisão, utilizando aparelhos de última geração (biometria ótica, fórmulas de cálculo modernas), é indispensável para atingir a refração pós-operatória desejada. No paciente monoftalmo, não existe margem de erro aceitável: o resultado refrativo deve ser ótimo logo na primeira intervenção.
Uma informação completa ao paciente
O paciente monoftalmo deve receber uma informação clara e leal sobre os benefícios esperados, os riscos específicos e as alternativas. O desafio psicológico é importante: o medo de perder a visão do olho restante é legítimo e deve ser ouvido. O Dr. Julien Gozlan dedica um tempo de consulta específico para responder a todas as questões, explicar o decorrer da intervenção e tranquilizar sobre as medidas de segurança reforçadas.
Decorrer da intervenção e medidas de segurança reforçadas
A intervenção de catarata em olho único segue o protocolo padrão da facoemulsificação, mas com várias medidas de precaução suplementares:
- Escolha do bloco operatório: a intervenção é programada em condições ótimas, no início do programa operatório, com material verificado e um ambiente perfeitamente controlado.
- Anestesia adaptada: a anestesia tópica (por colírios) ou locorregional é privilegiada, em função do perfil do paciente e da complexidade previsível do procedimento.
- Técnica cirúrgica meticulosa: cada etapa da facoemulsificação é realizada com uma prudência acrescida. Os parâmetros de potência dos ultrassons e de aspiração são ajustados para minimizar qualquer risco de complicação peroperatória.
- Profilaxia infecciosa reforçada: o risco de endoftalmite, embora muito raro (aproximadamente 1 caso em 3 000), justifica uma profilaxia antibiótica rigorosa, com injeção intracamerular de antibiótico no final da intervenção.
- Lente intraocular de alta qualidade: a escolha da lente intraocular é adaptada ao perfil do paciente. Para um olho único, uma lente intraocular monofocal asférica é frequentemente privilegiada pela sua fiabilidade e tolerância, salvo indicação contrária discutida com o paciente.
Seguimento pós-operatório próximo
Após a intervenção, o seguimento é mais próximo do que para um paciente que dispõe dos dois olhos. Um controlo é realizado logo no dia seguinte à operação, depois ao fim de uma semana, um mês e três meses. Esta vigilância estreita permite detetar e tratar precocemente qualquer complicação eventual: inflamação excessiva, hipertonia ocular transitória ou edema macular pós-operatório.
O tratamento pós-operatório com colírios anti-inflamatórios e antibióticos é seguido escrupulosamente. O paciente recebe instruções claras: uso de uma concha protetora durante a noite nos primeiros dias, evicção de esforços físicos intensos e vigilância quanto aos sinais de alerta (dor súbita, diminuição súbita da visão, vermelhidão significativa).
Resultados e prognóstico visual
Na grande maioria dos casos, os resultados da cirurgia de catarata em olho único são excelentes. A recuperação visual é rápida, frequentemente percetível logo nas primeiras horas, com uma estabilização em algumas semanas. O ganho funcional é considerável: o paciente recupera uma visão nítida, contrastes melhorados e uma perceção das cores restaurada.
O prognóstico final depende, contudo, do estado preexistente da retina e do nervo ótico. Na ausência de patologia retiniana associada, a acuidade visual pós-operatória é geralmente excelente. Em caso de patologia retiniana concomitante, o benefício é real mas pode ser parcialmente limitado pela afeção retiniana subjacente. É por isso que o exame pré-operatório é fundamental para estabelecer um prognóstico realista e partilhado com o paciente.
FAQ: Catarata em olho funcional único
A operação de catarata num olho único é mais arriscada?
A intervenção em si não é tecnicamente mais arriscada. O gesto cirúrgico é idêntico. No entanto, as consequências de uma eventual complicação são mais pesadas, uma vez que o paciente não tem um segundo olho funcional para compensar. É por isso que são sistematicamente implementadas precauções reforçadas, desde o exame pré-operatório até ao seguimento pós-operatório.
Quanto tempo dura a operação?
A cirurgia de catarata por facoemulsificação dura, em média, 15 a 20 minutos. Num paciente monoftalmo, o cirurgião pode demorar alguns minutos adicionais para otimizar cada etapa do procedimento. O conjunto da permanência no bloco operatório, incluindo a preparação e a vigilância imediata, representa aproximadamente uma hora.
A intervenção é dolorosa?
Não, a operação é indolor graças à anestesia local ou tópica. O paciente pode sentir uma ligeira pressão ou perceber luzes durante a intervenção, mas não sente qualquer dor. No pós-operatório, um desconforto moderado pode estar presente nas primeiras horas, facilmente aliviado com um analgésico simples.
Quando poderei retomar a condução automóvel?
A retoma da condução é geralmente possível alguns dias após a intervenção, logo que a acuidade visual o permita e o controlo pós-operatório seja satisfatório. Para um paciente monoftalmo, a condução está sujeita a condições regulamentares específicas (acuidade mínima de 5/10). O Dr. Julien Gozlan aconselhá-lo-á sobre o prazo adequado à sua situação individual.
Quando posso retomar uma atividade desportiva?
As atividades calmas podem ser retomadas logo nos primeiros dias. Em contrapartida, os desportos com risco de impacto, a natação e os esforços físicos intensos devem ser evitados durante pelo menos duas a três semanas. Para um olho único, recomenda-se uma prudência particular, e o uso de óculos de proteção pode ser aconselhado durante certas atividades.
Que tipo de lente intraocular é colocada num olho único?
A escolha da lente intraocular é discutida caso a caso. Uma lente intraocular monofocal asférica de alta qualidade é frequentemente privilegiada pela sua fiabilidade e pela excelente qualidade de visão que proporciona. Em certos casos, uma lente intraocular EDOF (de profundidade de campo estendida) pode ser considerada para oferecer uma maior amplitude de visão nítida. O Dr. Julien Gozlan adapta sempre a escolha da lente intraocular ao perfil visual e às necessidades do paciente.
Qual é o seguimento após a operação?
O seguimento é próximo: um controlo no dia seguinte, depois ao fim de uma semana, um mês e três meses pós-operatórios. Consultas adicionais podem ser programadas se necessário. Um tratamento com colírios é prescrito durante aproximadamente quatro semanas. Este seguimento atento permite assegurar a boa cicatrização e a ausência de complicações.
Quando consultar o Dr. Julien Gozlan?
Se é portador de um olho funcional único e constata uma diminuição progressiva da sua visão, um encandeamento acrescido, uma dificuldade em ler ou conduzir, ou uma perceção das cores alterada, é essencial consultar sem demora. Estes sintomas podem traduzir a evolução de uma catarata que necessita de uma abordagem adaptada. O Dr. Julien Gozlan, graças à sua experiência em cirurgia de catarata e em patologias retinianas, proporá um exame completo, um prognóstico personalizado e uma estratégia cirúrgica otimizada para a sua situação específica de olho único.
📍 Consulta no Consultório Oftalmológico Paris – Auteuil
O Dr. Julien Gozlan recebe-o no Consultório Oftalmológico Paris – Auteuil para uma abordagem personalizada da catarata em olho funcional único. Graças a um equipamento técnico de última geração e a uma experiência cirúrgica dedicada, acompanha-o com rigor e atenção em cada etapa, desde o exame pré-operatório até à recuperação visual completa.
Marcar Consulta no DoctolibPara saber mais
- Operação de catarata: tudo sobre o decorrer, as técnicas e o pós-operatório da cirurgia de catarata.
- Biometria ocular: compreender este exame essencial para o cálculo preciso da lente intraocular.
- Membrana epirretiniana macular: causas, sintomas e abordagem desta patologia retiniana que pode coexistir com a catarata.
- OCT (tomografia de coerência ótica): papel deste exame de imagiologia no exame retiniano pré-operatório e no seguimento pós-operatório.